Há tempos que Jennifer Aniston vem tentando se afastar do estigma que a seguiu por toda sua carreira – a mocinha bonitinha e engraçadinha – depois do seu papel como Rachel em Friends. Ela conseguiu mostrar talento fora do nicho das comédias românticas em filmes como Por um Sentido na Vida e Amigas com Dinheiro.

Agora, em Cake, ela finalmente se liberta deste estereótipo e o faz com competência, recebendo, inclusive, uma indicação ao Globo de Ouro de melhor atriz.

Sua personagem, Claire, sofreu um acidente grave que a deixa com cicatrizes visíveis por todo o corpo e sofre dores crônicas insuportáveis. Ao participar de um grupo de apoio a pessoas com o mesmo problema, Claire torna-se obcecada por Nina (Anna Kendrick), uma participante do grupo que cometeu suicídio. Durante sua busca, ela conhece o marido de Nina, Roy (Sam Worthington) formando uma conexão especial com ele e seu filho.

Claire, uma pessoa chata, mal humorada e viciada em analgésicos, ainda conta com a ajuda e o carinho de sua empregada, Silvana (Adriana Barraza), que acaba fazendo o papel de sua melhor amiga dentro da sua realidade solitária.

O filme ainda conta com as participações de Felicity Huffman e William H. Macy.

Infelizmente, o roteiro do filme de Daniel Barnz  não acompanha a ótima atuação de Aniston. Tenta-se fazer uma analogia com a falta de vontade de viver de Claire e o suicídio de Nina . Mas a análise acaba sendo rasa, e a relação que se forma com Roy e seu filho não é bem explorada.

No fim, o filme vale a pena pela interpretação seca e realista de Aniston, que consegue incomodar o espectador com sua personalidade dura e repelente. Até sua expressão corporal nos torna conscientes de toda sua dor – física e psicológica – e nos faz refletir como é conviver todo dia com as marcas do sofrimento.

Veja o trailer: