“Um dos prazeres de ler J. K. Rowling é descobrir as divertidas referências à história, às lendas e à literatura que ela esconde em seus livros.”

Eu li Harry Potter pela primeira vez aos 14 anos de idade. Foi como abrir meus olhos para um mundo com cores. Eu vivi cada segundo embaixo da escada da Rua dos Alfeneiros, n° 4.

Harry Potter me mostrou tanto sobre amizade que eu sentia que tava nascendo de novo com conhecimentos de uma vida inteira.

J.K. conseguiu transformar toda uma geração ociosa em leitores ávidos, esperando a cada ano por um livro novo. Lembro que, em cada lançamento, eu estava nas livrarias. Na véspera. Dormindo na porta. Virando noites para ser a primeira a tocar aquela preciosidade. Eu tenho a honra de dizer que vivi cada fase dessa loucura.

Quando os filmes chegaram, foi um novo caos fanático. Eu queria ver antes de todo mundo. Aposto que você que está lendo também fez isso. Eu já dormi em fila de cinema. Já juntei mais de 100 pessoas fantasiadas de bruxos só para aguardar o professor Snape dizer “- abra seu livro na página 394.”

Os livros de Harry Potter mostram um mundo mágico além de tudo que já foi escrito. Embora tenha uma escrita comparada à de Tolkien, J. K. conseguiu criar um mundo só dela. Da esfinge da mitologia grega ao nome de Draco (inspirado na palavra latina para ‘dragão’ ou ‘serpente’), todas as referências conseguiram se encaixar até a última palavra do último livro. A própria autora instigou os fãs a pesquisarem e saberem mais. Quando questionada sobre a origem de algo, ela encorajava: pesquise.

Rowling juntou ópera, figuras históricas, latim, estilos germânicos nazistas, mitologia grega e muito mais. Além disso, a autora conseguiu unir todas as características que buscamos ou vivemos. Ela nos mostra um herói que não confia em si mesmo, que tem dúvidas e que se acha incapaz de agir de modo correto. Todas as inseguranças da juventude representadas numa geração que passou a torcer pelo menino da cicatriz. Ela nos traz à tona nosso lado estudioso, que nos prova que conhecimento é importante em qualquer situação, seja para escolher frascos venenosos ou pra criar uma poção polissuco. Traz ainda o amigo fiel, menosprezado por ser pobre e que no fim prova que a lealdade de uma amizade pode vencer batalhas muito difíceis.

Quando adolescente, não pude deixar de me apaixonar por esse universo e, claro, por um personagem. Severo Snape sempre foi o dono do meu coração e eu resisti anos, confiando que meu coração não poderia estar errado em amar alguém tão mau. Pense numa pessoa que chorou LITROS no final da saga. Multiplica e vai ter noção de quanto eu sofri. Sério, eu fiquei na cama uma semana sem saber o que fazer da minha vida.

Ganhamos ainda o líder que pensa pelo bem maior, Alvo, a família ruiva que acolhe nosso herói, os amigos que ficam do lado pro que der e vier e as perdas que formarão a personalidade dos nossos personagens.

Quem não chorou quando o Dobby morreu?
Quem não xingou até cansar quando o Sirius sumiu naquele véu?

E estamos aqui, vinte anos depois, relembrando cada segundo passado sob livros de magia e aulas de herbologia. Ainda estamos afogados em quadribol, Niem’s e elfos domésticos.

Ainda temos na alma cada feitiço gravado. Ainda sabemos cada rota de fuga do mapa do maroto. E pensar nos gêmeos ainda causa a dor da separação do que era perfeito.

Por isso, amigos potterheads, levantem suas varinhas! O que foi perfeito há 20 anos ainda toca nossa alma. E se você me perguntar: Depois de todo esse tempo?

Gritem comigo: ALWAYS.