Mad Max: Estrada da Fúria não é um mero filme de ação: é um espetáculo para os olhos e ouvidos. Com cenas de perseguição alucinantes e trilha sonora de primeira qualidade, ele é o filme do ano dentro do seu gênero.

Não se trata de um remake ou de uma continuação da trilogia Mad Max (com Mel Gibson no papel central), mas de um “reload“; vemos aqui um mundo pós-apocalíptico em estágio mais avançado, onde faltam gasolina e água num cenário desértico e comunidades se formaram ao redor de gangues que tem o controle desses recursos.

Immortan Joe (Hugh Keays-Byrn, o Toecutter do primeiro Mad Max) é o líder de uma dessas gangues, os War Boys, e detém o controle de uma fonte de água, que chama de aqua-cola (a água aqui já virou um produto). Immortan e os War Boys parecem ser mutantes afetados por radiação, e ele não consegue ter filhos saudáveis, por isso sequestra e aprisiona um grupo de mulheres “perfeitas” para reprodução.

Imperator Furiosa (Charlize Theron) não está satisfeita em ver essas mulheres sofrendo e decide fugir numa jornada em busca de um lugar onde a vida não seja tão sem perspectiva de felicidade. É aí que entra Max (Tom Hardy), ele vai ajudá-la a atravessar o deserto quando também está fugindo dos War Boys.

Theron está incrível como Furiosa, uma mulher forte, mas emotiva, que logo conquista a nossa empatia. Há quem diga que ela roubou a cena de Max, e que o filme seria feminista (isso é ruim?) por ter tantas mulheres em papeis de destaque. No entanto, Max, até mesmo na antiga trilogia, tinha poucas falas e um papel de figura de ligação, que ajuda os outros em situações de desespero. Além disso, as melhores cenas de ação são protagonizadas por Max.

Outro que rouba a cena é Nicholas Hoult, irreconhecível como Nux, um War Boy que busca na morte a redenção.

O diretor George Miller filmou toda a ação na Austrália e na Namíbia, trazendo cenas de uma beleza árida, utilizando-se sempre do bizarro e do grotesco como caracterização dessa nova sociedade desorganizada. As incríveis cenas de perseguição duraram meses de filmagem e os carros foram também construídos em meses – para depois serem destruídos em grandiosas colisões.

A ação é realista e deixa o espectador tenso do início ao fim do filme, que tem poucos diálogos, restando-nos pouco tempo para respirar. A trilha sonora acompanha essa tensão, com uma tropa de tambores e guitarra que segue (literalmente) os War Boys na batalha, como nas antigas guerras.

Não é por ter muita ação e poucas falas que falte roteiro no filme. Há sim, muito significado nessa sociedade que, por ser formada no caos, faz brotar todo o tipo de desajustados e sádicos, mas também justiceiros como Max e Furiosa.