Séries literárias que conquistam vários públicos. Elas chegam em grupo e invadem livrarias, listas de mais vendidos e cinemas. Com leitores fiéis, as séries de livros têm conquistado públicos de diferentes idades e desafiado o clichê de que atualmente não há gente interessada em dedicar tempo para longas leituras.

Quatro e Tris (Foto reprodução: Paris Film)

Quatro e Tris (Foto reprodução: Paris Film)

Nesta semana, mais um produto desse fenômeno será lançado. A adaptação cinematográfica de Insurgente, segundo livro da saga Divergente, da escritora Veronica Roth, ganha a telas na quinta-feira. O longa é aguardado com ansiedade pelos aficionados — no primeiro sábado deste mês, um encontro reuniu fãs em uma livraria da Capital para discutir as expectativas sobre o filme, fazer jogos e distribuir brindes.

A trilogia de Veronica, que totaliza mais de 1,5 mil páginas, tem como principais seguidores os adolescentes, público que se acostumou a curtir leituras volumosas.

— É possível traçar uma linha de corte depois de O Senhor dos Anéis e Harry Potter, séries enormes, nas quais um volume emenda no outro, mas é possível ler separadamente. A partir daí, os jovens começam a consumir livros com muitas páginas, o que não se esperaria deles antes — diz Regina Zilberman, especialista em literatura infantojuvenil.

Para os leitores, as séries aprofundam a relação com os personagens de maneira única. Uma das organizadoras do encontro sobre Divergente em Porto Alegre, a estudante Aline Dal Bó, 14 anos, conta que acaba considerando os protagonistas das histórias quase como amigos:

— Principalmente nas séries mais longas, a gente acompanha os personagens torcendo por eles.

Tamanha devoção dos leitores não passou despercebida por quem faz da ficção um mercado vantajoso.

— A força desse público é frequentemente subdimensionada. Começamos a perceber seu poder a partir da saga Crepúsculo. No cinema, você pode até ter fãs de personagens como James Bond, mas isso não quer dizer que haja quem se engaje e os defenda como fazem os leitores com seus personagens — afirma Gabriel Gurmam, gerente de marketing da Paris Filmes, empresa que distribui o longa Insurgente no Brasil e costuma promover e apoiar reuniões de fãs.

A tendência não se restringe ao público juvenil. Cinquenta Tons de Cinza, outra trilogia literária que virou filme, conquistou leitores de diferentes faixas etárias.

— A gente vive atualmente em uma cultura de séries. Não era assim há 15 ou 20 anos. É um formato que possibilita lançar uma isca no mercado e depois ver se dá certo — diz Regina Zilberman.

Da mesma forma que O Senhor dos Anéis e Harry Potter ajudaram a fomentar o mercado editorial juvenil, Cinquenta Tons… parece igualmente inspirar novos títulos. Também erótica, a série Toda Sua, de Silvia Day, já consta das listas de best-sellers.

— São livros que conquistaram um público que não costumava frequentar obras impressas, formando público para leituras semelhantes — completa Regina.

Cinquenta Tons

Depois de mais de 100 milhões de livros vendidos, o fenômeno Cinquenta Tonsde Cinza está em cartaz desde 12 de fevereiro nas salas de cinema. A expectativa é de que, assim como o livro, a versão cinematográfica também seja produzida como uma trilogia.

Divergente

Com estreia nesta quinta-feira nos cinemas, a Série Divergente: Insurgentesegue a aventura da deslocada Tris (Shailene Woodley). Em um mundo distópico, a personagem e seu parceiro Quatro (Theo James) agora são fugitivos procurados por Jeanine (Kate Winslet), a líder da Erudição.

Em busca da verdade sobre o mundo em que vivem, o casal vive assombrado por escolhas feitas no passado. Insurgente constitui a sequência de Divergente, filme estreado em 2014, e deve ser seguido por A Série Divergente: ConvergenteParte 1 (com estreia prevista para 2016) e Parte 2 (para 2017). Ainda que não tenha os números de franquias bilionárias como Harry Potter e Crepúsculo(Divergente arrecadou US$ 288 milhões nos cinemas), trata-se de uma das maiores apostas da Lionsgate, principal produtora independente de cinema dos Estados Unidos.

Jogos Vorazes

Assim como Divergente, Jogos Vorazes é uma saga distópica na qual a alta tecnologia futurista convive com a injustiça e a barbárie. Nos cinemas, a saga foi dividida em quatro filmes, sendo que o último deles, A Esperança: Parte 2, deve estrear em novembro.