Nas últimas semanas, foi notícia em diversos sites a promessa da Marvel Studios sobre um filme solo da Viúva Negra. Mas, nessa altura do campeonato, todos os seus amigos Vingadores já têm, pelo menos, dois filmes solos nas costas. Por que só agora surgiu essa preocupação de mostrar um pouco mais de sua história e suas aventuras, quando já sabemos bem mais sobre Homem de Ferro ou Thor?

Há um tempo atrás, pouco depois do lançamento de “Vingadores 2 – A Era de Ultron”, os fãs de Natasha Romanoff começaram uma campanha para que a personagem ganhasse um filme. Até mesmo Robert Downey Jr. aderiu, mas nada de concreto foi feito; nenhuma produção sobre ela está prevista na agenda de lançamentos da Marvel, até 2019. A intérprete da personagem, Scarlett Johanson, foi ao programa norte-americano Saturday Night Live, onde foi lançado um trailer falso de um filme estrelado por ela, que não deixou de ser uma dura crítica. Nele, o narrador afirma que a Marvel também entende as mulheres, e mostra Natasha tendo que lidar com a revista de moda onde trabalha, enquanto mora com Thor e Capitão América e vive um romance com o robô Ultron.

 

 

Não é pertinente afirmar que este filme solo não se concretizou por falta de uma história pra contar, ou falta de popularidade da personagem. Pelos pequenos vislumbres do passado da Viúva Negra que já tivemos em outros filmes, e também pelas diversas manifestações de coragem e bravura que ela mesma já teve, não restam dúvidas de que há muita coisa pra se falar sobre ela. Por ser também cativante e cheia de atributos (apesar de nenhum superpoder), ela conquistou um número expressivo de fãs por todo o mundo. Por esse motivo, ela foi introduzida ao filme “Capitão América 2: O Soldado Invernal”: Sua participação não estava prevista, mas a boa recepção que a personagem teve fez com que a aparição fosse possível.

O problema não se restringe à Viúva Negra. Num primeiro momento, o universo dos super herois se restringiu ao público masculino, e as primeiras aparições de heroínas nos quadrinhos foram feitas como versões femininas ou pares românticos de super herois já conhecidos, sempre hiperssexualizadas. Atualmente, as mulheres já são bem melhor representadas nos quadrinhos, com personagens fortes e bem diversificadas, e é bem mais fácil trabalhar um conceito de representatividade nesse contexto. Ler HQ’s já não é mais considerado “coisa de menino”, tanto que é possível achar meninas que sabem bem mais sobre super herois do que um menino (fato que seria bem mais complicado há um tempo atrás). Contudo, essa representatividade tem se manifestado bem menos nos cinemas.

Estamos na era dos blockbusters. Também conhecidos por algo como sucessos de bilheteria em português, os blockbusters representam um tipo de produções cinematográficas que têm investimentos maciços, muitos efeitos especiais e ação em seus enredos, e que arrecadam grandes quantias pelo mundo todo nos primeiros dias de lançamento. Mas quantos blockbusters de super herois temos, que apresentam uma heroina como protagonista? Se você viver no mesmo planeta que eu, nenhum. Isso porque os gêneros de filmes normalmente ligados à protagonistas femininas (Romances, comédias românticas, dramas e comédias) não são considerados como blockbusters em potencial.

Em entrevista a Uproxx, Shane Black, um dos roteiristas de “Homem de Ferro 3”, admitiu que o filme teria uma vilã, mas que o roteiro foi modificado pela Marvel, com a justificativa de que uma vilã feminina atrapalharia a venda de brinquedos do filme. Outros papéis femininos também foram diminuídos, para que a produção gerasse mais lucro com os brinquedos colecionáveis. Você já assistiu a um filme de super heroi que tinha uma grande heroína na trama, mas saiu achando que ela foi mal-aproveitada, deixada em segundo plano? É desse modo que o machismo se manifesta nesse universo, e exemplos não faltam. Acredito que esse cenário tem grandes possibilidades de mudança com o lançamento do filme solo da Mulher Maravilha, em 2017. Além de trazer uma das maiores heroínas da história para as telonas pela segunda vez, o filme conta com a direção de Patty Jenkins, a primeira diretora a comandar um filme com investimentos superiores a US$ 100 milhões.

Não adianta apenas reclamar da falta de representatividade. É preciso mostrar que as heroínas são importantes, tanto quanto os herois, e isso vai mudar quando as vozes dos fãs começarem a ser ouvidas, com a realização de campanhas online e o que mais estiver ao seu alcance. Nós mulheres merecemos sim sermos representadas por personagens fortes e poderosas, assim como nós mesmas somos. Espero que, motivados pelo sucesso de Diana Prince, os produtores hollywoodianos abram seus olhos e comecem a investir em grandes produções encabeçadas por heroínas.