Ah, vamos falar de coisa boa. Ou melhor, livro bom.

Pequenas grandes mentiras é um livro de 2015, publicado pela Editora Intrínseca, mas que foi relançado pela mesma editora por motivos de: nova capa em alusão à série. De fato, se você olhar apenas a capa (de ambos os livros), pode imaginar que se trata de uma trama bem simples, com vários clichês, bem juvenil e feminino. Aí é o primeiro engano. A começar pela sinopse, dá para se ter ideia do que há de vir.

Madeline é forte e passional. Separada, precisa lidar com o fato de que o ex e a nova mulher, além de terem matriculado a filhinha no mesmo jardim de infância da caçula de Madeline, parecem estar conquistando também sua filha mais velha. Celeste é dona de uma beleza estonteante. Com os filhos gêmeos entrando para a escola, ela e o marido bem-sucedido têm tudo para reinar entre os pais. Mas a realeza cobra seu preço, e ela não sabe se continua disposta a pagá-lo. Por fim, Jane, uma mãe solteira nova na cidade que guarda para si certas reservas com relação ao filho. Madeline e Celeste decidem fazer dela sua protegida, mas não têm ideia de quanto isso afetará a vida de todos.

Para começar, temos um homicídio (se é que foi) sem causas aparentes, e a curiosidade só aumenta à medida que você vai passando as páginas e percebendo que a história é bem mais complexa – e intensa. Enquanto se passam as páginas, o leitor vai descobrindo mentiras e acusações que se amontoam ao redor de Madeleine, Celeste e Jane, protagonistas. O mais incrível é ver a realidade das personagens, que não são perfeitas, mas invejosas, ciumentas, amorosas e generosas, tudo num pacote só.

O melhor do livro reside justamente na forma como lidamos (e contamos) meias verdades e como isso é perigoso. O próprio nome do livro demonstra isso.

Como novidade, a HBO lançou a série com mesmo título, Big Little Lies, com participação do super elenco Shailene Woodley, Reese Witherspoon e Nicole Kidman. Em entrevista ao site DN, Shailene, que interpreta Jane, falou que “a série passa-se em Monterey, que é uma área predominantemente branca, privilegiada e financeiramente estável. Uma coisa que eu adorei na Jane é o facto de ela não ser essas coisas. Acho que isso mostra que temos muitos preconceitos, baseados em fachadas que têm a ver com o que se está a passar no nosso sistema político. Somos muito rápidos a julgar o outro lado, sem realmente o compreendermos. Só porque a vida é mais confortável para algumas pessoas, não quer dizer que elas não estejam a sofrer tanto quanto as outras”. Veja a matéria completa aqui.

Por fim, Pequenas grandes mentiras é uma boa pedida para as horas vagas – e para as noites em claro, também.