Misterioso. Envolvente. Perigoso. O novo livro de Delphine de Vigan arrebenta no estilo que eu mais gosto: ghost-writer.

Baseado em fatos reais é daqueles livros cheios de suspense, idas e vindas e que rendem uma leitura de virar a noite. O mais intrigante, logo de início, é que o nome da autora é também o nome da protagonista e, até certo ponto, você fica se perguntando: será esta uma autobiografia? Para completar essa impressão, o livro é narrado em primeira pessoa, então, só mais dúvidas.

A história é enfocada em Del e L. A primeira é uma escritora talentosa, mas que não consegue mais escrever devido ao peso que isso se tornou. A segunda, melhor amiga de Del, é uma personagem articulosa e manipuladora que, de cara, todo mundo já odeia.

Acontece que, depois do lançamento de seu último livro, Delphine começa a receber cartas anônimas enfurecidas questionando-a sobre o conteúdo do exemplar. L. entra em cena a fim de irritar e tornar o cenário mais intenso, a medida que manipula a protagonista a fazer o que ela quer. Como alguém pode cair na lábia de uma pessoa como L.?

“Quanto tempo é necessário para ser uma mulher assim?, perguntei-me enquanto observava L., como havia observado dezenas de mulheres antes dela, no metrô, na fila de espera dos cinemas, nas mesas de restaurantes. Penteadas, maquiadas, engomadas. Sem nenhum amassadinho. Quanto tempo levavam toda manhã para chegar àquele estado de perfeição e quanto tempo levavam para se retocar à noite, antes de sair?”

O lançamento da Intrínseca rende uma boa história, mas infelizmente, deixa algumas perguntas sem respostas. Não sei bem se foi proposital da autora (será que haverá uma continuação?) para confundir o leitor, mas incomoda qualquer curioso. O mais intrigante é que, ao final, se torna bem difícil separar ficção e realidade.