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Olá pipoqueiros, turubooom com vocês?

Agora que consigo sentir meus pés e mãos novamente, sentei para fala com vocês sobre a XIX Bienal do Livro no RJ. Para quem não estava numa caverna ou algo do tipo, ouviu falar que essa edição teve babado, confusão e gritaria. Além de muitos livros espalhados pelos corredores.

Para começar descrevendo essa bienal temos que falar sobre intolerância e preconceito. O que marcou a Bienal do RJ desse ano foi a luta contra o preconceito e a homofobia. Nada de pessoas atrasadas e retrógadas em pleno século 21, minha gente. Vamos pensar fora da caixinha e entender que representatividade é tudo.

Para resumir o evento de forma rápida e dinâmica, vou separar em uns tópicos bacanas e relevantes.

Sobre a venda de livros:

Com o incentivo do município para alunos e professores de ensino público, a venda de livros foi insana. Cada aluno e professor tinha um cartão com um valor que variava de 50 a 400 reais, disponíveis para gastos dentro do evento. Isso fez com que boa parte dos alunos comprassem livros, uma realidade diferente das últimas edições em que trabalhei.

Sobre os preços:

Tem crescido demais nesses eventos a quantidade de bancas de livros a preços baixos, com faixa de 10 a 20 reais, preços únicos. Se garimpar bem, dá pra encontrar muito livro bacana. Quem não curte muito isso são algumas editoras, que acabam com preço defasado diante da concorrência. Mas o importante é ler, certo? Quem estiver afim de economizar durante a Bienal, fica a dica. Eu aproveitei muito e completei várias coleções antigas.

Sobre autores nacionais:

Não é mistério pra ninguém que nós do Pipoca Nerd amamos autores nacionais, não é mesmo? E sabemos também que o mercado nem sempre é tão generoso com eles. Mas o que vi esse ano foi uma abertura maior a esses autores. Também os vi com mais frequência pelos corredores, bem como seus livros expostos de forma mais bonita e aberta. Também vi muito autor nacional recebendo amor e carinho, e isso foi incrível. Inclusive, o Pipoca Nerd também distribuiu amor por lá.

Sobre o público e seus interesses:

Se tem uma coisa que eu percebi ao longo desses anos trabalhando em bienais foi a mudança no interesse do estilo literário dos jovens. Principalmente as crianças e adolescentes tinham um fluxo de leitura mais voltado à literatura infanto juvenil, às vezes aos youtubers e às vezes os quadrinhos. Nessa edição eu testemunhei adolescentes (e muitos) buscando livros de filosofia, crítica social e o mais procurado: feminismo. O que eu achei disso: UM ARRASO! Nada de contrariar o estilo de leitura do amigo, vamos ler crepúsculo e vamos ler Camões. Isso de preconceito literário está mais por fora que o Snapchat.

Sobre a confusão com o prefeito:

Se tem uma coisa complicada na vida é bater de frente com leitores. Uma coisa a gente tem de bom: somos unidos e inteligentes. Dificilmente você vai ver um leitor sendo passado pra trás. Um resumo do que aconteceu: um menino comprou uma HQ na feira, levou pra casa e a mãe abriu e viu um beijo entre dois rapazes. Em algum instante na mente dessa mãe, esse beijo passou a ser um insulto e uma coisa horrorosa que corromperia seu filho para sempre. Ela foi a público e o nosso prefeito pegou as dores. Mandou lacrar todo e qualquer livro de conteúdo LGBT do evento. Levando em consideração que um beijo gay é a mesma coisa de um beijo hétero, já estava claro que isso ia dar confusão. Felipe Neto se meteu no lance, 14 mil livros do tema foram distribuídos por ele, rolou liminar, quebraram liminar e nenhum livro impróprio foi encontrado para recolhimento. Teve também bastante gritaria, manifestação e beijaços. Foi, sem dúvida, a melhor Bienal que eu participei. A mais importante para a história até agora.

Lembrando que pela constituição, conteúdo impróprio é definido pelas editoras e não pelo Estado. O ECA prevê a classificação etária do conteúdo e isso é informado nos quadrinhos. É importante entender que nem sempre o que tem figuras ou quadrinhos ou mangás são para crianças, e boa parte desse conteúdo não é. Todos os pais tem o poder de decidir o que uma criança vai ler mas ninguém tem o direito de proibir o acesso aos que querem e podem ler determinado conteúdo. A representatividade é importante, não apenas na literatura, mas em tudo que temos de arte. O Pipoca Nerd não defende a sexualização de crianças, apenas defende a leitura, a representatividade e a liberdade de escolha.

E pra finalizar, gostaríamos de agradecer cada autor e cada editora que recebeu o Pipoca Nerd com o carinho de sempre, muitas portas foram abertas e muitas parcerias novas chegaram. Vamos falar de todas em breve.

Que estejamos sempre do lado do amor e que o mundo entenda que a literatura é a coisa mais linda que há. Se você desconhece algo ou quer conhecer mais do mundo, leia. Ninguém sabe tanto que não possa aprender e conhecimento é a única coisa que jamais tirarão de você.

Até mais. Nos vemos na Bienal SP 2020.


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Denise Lima

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