Jojo Moyes, autora do sucesso “Como eu era antes de você” que ganhou sua adaptação nos cinemas, entra para a lista de autores queridinhos do momento. Hoje falarei para vocês sobre a sua quinta obra publicada “Baía da Esperança”. O livro foi publicado pela Editora Intrínseca aqui no Brasil e a capa tem a ilustração semelhante às outras obras da autora, que por sinal sou apaixonada.

Baía da Esperança é narrada por alguns personagens em primeira pessoa. Confesso que a troca entre os personagens tornou a leitura complicada e vagarosa. O começo inclusive me deixou bastante aflita, me perguntando quando o livro me prenderia de uma vez, e assim havia me sentido no livro “Como eu era antes de você”, e sabendo da experiência de ter sido surpreendida, com esse livro também não foi diferente. Tudo foi apenas um detalhe e finalmente consegui mergulhar de corpo e alma. Então caso sinta-se igual durante a leitura, não desanime, pois, a partir da página oitenta, ou até antes…. Vocês vão se sentir mais um personagem entre todos que agora irão conhecer.

A história baseia-se em uma pequena, distante e quase esquecida cidadezinha litorânea na Austrália, chamada Silver Bay. Uma cidade considerada por seus habitantes como um pequeno paraíso, com seu mar repleto por vidas marinhas. Os protagonistas desse mar são os golfinhos e as baleias.

A primeira personagem (e querida) que começa narrando é Kathleen, uma senhora de setenta e cinco anos, moradora antiga e conhecida de Silver Bay. Kathleen é mais conhecida como a “garota do tubarão” por ter conseguido capturar o maior tubarão de Silver Bay. Ela é dona de um hotel cujo nome chama-se ‘‘Baía da Esperança”, onde também moram sua sobrinha Liza McCullen com sua filha Hannah.

O hotel Baía da Esperança é simples, já havia tido seus tempos de glória e história que ali a personagem também conta ao relembrar momentos de quando era jovem, porém, é bem frequentado por amigos baleeiros, que trabalhavam levando turistas para conhecer os simpáticos golfinhos e baleias da baía, inclusive a autora consegue com êxito descrever o cenário e o comportamento desses animais. Você sente como se estivesse realmente presenciando tudo a sua frente.

A calmaria de Silver Bay é contrariada com a chegada de Mike Dormer que é um visitante misterioso vindo da Inglaterra. Mike é um homem atraente, reconhecido por seu bom rendimento no trabalho e sempre movido por ele, onde de forma gananciosa sempre conseguia o que queria.

A visita de Mike pela pequena cidade não era como todos a sua volta pensavam, ele estava na verdade em Silver Bay para pesquisar toda a área para a construção de um hotel de luxo, com o objetivo de apenas colher as informações para apresentar aos investidores e acertar as últimas questões para a o início da obra.

Sem deixar que as pessoas soubessem de seu real interesse, Mike se envolve com os moradores do local e se envolve principalmente com as três mulheres do hotel onde estava hospedado. Cada dia hospedado ele conseguia obter as informações necessárias, mas além disso, sem que ele próprio percebesse, ele também se envolvia de forma emocional e humana junto aos moradores da baía, que tinham uma vida simples, esforçada, calma e feliz. E com o convívio, Mike percebeu  que tiraria tudo isso deles com a construção do novo hotel de luxo da empresa para qual trabalhava.

Com a chegada do novo hotel, seria o fim do antigo hotel “Baía da Esperança”. E para piorar o peso que carregaria, o projeto colocaria em risco toda a vida marinha que ali habitava e prejudicaria os trabalhos dos marinheiros nomeados baleeiros, que ganhavam sua vida com as excursões marítimas.

Com isso, Mike, um homem antes movido por negócios, é reconstruído e agora move-se como mais um morador de Silver Bay, ao conviver com Liza, sua filha Hannah e a velha, querida e dona do hotel onde estava hospedado, Kathleen.

Liza é uma mulher misteriosa que guardava um grande segredo que a atormentava. A princípio com o suspense da personagem que era amargurada e grosseiramente monossilábica, confesso que não a suportava.

A vida de Liza era cuidar de sua filha de forma super protetora, levar turistas para conhecer os golfinhos e baleias com suas excursões e ajudar no hotel de sua tia, mas, sua distração era conviver com esses animais marinhos, indo apenas acompanhada de sua fiel companheira cachorra. E com o tempo você percebe durante a leitura que essas visitas aos animais marinhos, era além de uma distração.

Seu envolvimento com os animais é em síntese, emocionante no final da história quando tudo faz sentido (e, diga-se de passagem, me emocionou muito), pois os animais sensitivos sabiam de seu segredo. É difícil detalhar os turbilhões de sentimentos que me causou e lhe causará.

Mike se vê atraído pela misteriosa Liza que lutava contra os instintos e sentimentos na tentativa de preservar seu grande segredo, pois também àquela altura, Liza já não tinha esperanças para o amor. E assim começa uma trama com esse amor que crescerá cheio de obstáculos.

Baía da Esperança é além de um romance entre Mike e Liza. É uma história que te cativa e surpreende. O suspense irá rodear você de tal maneira que comerá as páginas sem perceber, acabando o livro antes do que imagina e se despedindo de Silver Bay antes mesmo de estar preparado para isso.

Seja pescado para dentro dessa baía, para a Baía da Esperança onde os habitantes, os animais, o amor…. Todos são movidos pela esperança. Surpreenda-se!