a condessa sangrenta 3

Não julgue o livro pela capa, é o que dizem. Mas logo num primeiro olhar, a capa do livro A Condessa Sangrenta, de Alejandra Pizarnik, revela certa ambiguidade: pode ser o corredor enclausurante de um castelo com duas torres apontadas para cima e no centro, uma armadilha assustadora. Também podem ser as pernas e os seios de uma mulher e o seu sexo exposto. A ambiguidade é proposital, já que a obra vai falar sobre prazer e crime ao contar a história de Elizabeth Bathory, condessa húngara que ficou famosa por uma série de crimes hediondos e cruéis contra mais de 600 mulheres. Devido a precariedade de relatos históricos, a Condessa Bathory se tornou uma figura mítica. É difícil distinguir verdade e ficção nos seus atos, mas sua história se tornou tão famosa, que inspirou diversos personagens posteriores de livros e filmes de terror.

Exatamente por essa dificuldade de reconstituição histórica, a obra de Alejandra acerta ao oferecer relatos que misturam poesias, narrações e textos informativos, e que ganham muita força graças às ilustrações macabras, porém belíssimas, de Santiago Caruso. As imagens ajudam a criar o clima dos rituais terríveis praticados no castelo da condessa.

a condessa sangrenta 2

Alguns exemplos de torturas ritualísticas que aparecem na obra são: a donzela de ferro, uma estrutura similar a um sarcófago, com lâminas internas que perfuravam o corpo das vítimas, que eram sempre mulheres e as estátuas vivas, que eram jovens nuas colocadas ao ar livre nas noites mais frias recebendo banhos de água gelada até terem seus corpos congelados. Muitas outras descrições estão presentes no livro. Por isto, essa obra é recomendada apenas para quem tem estômago forte.

A obsessão da condessa por beleza e juventude também impressionam, servindo como motivação para suas práticas de magia negra junto com feiticeiras, e que envolviam banhos de sangue constantes. Com o sangue de suas próprias vítimas, é claro.

Desta forma, o livro conta uma história chocante, onde é possível observar que não há limites para a crueldade. Porém, o seu mérito maior é na construção do clima, e não na profundidade do conteúdo. Para quem deseja se aprofundar mais, existe uma versão cinematográfica. Veja o trailer.