O livro “O perfume da folha do chá” foi publicado pela Companhia das Letras em janeiro de 2017, sendo considerado um best seller na Inglaterra. O nome do livro é uma alusão ao plantio de chá na região do Ceilão na década de 20. A autora estudou muito sobre o Ceilão e também viajou até lá para escrever esse romance.

O Ceilão, atualmente chamado de Sri Lanka é um país do sul da Ásia que foi uma colônia britânica no período de 1815 a 1948. As línguas oficiais são cingalês e tâmil.

O romance conta a história da jovem Gwen que se muda da Escócia para o Ceilão após o seu casamento com Lawrence. Ele é um viúvo que possui propriedades no Ceilão e cultiva chá.

A personagem principal do livro é uma jovem bela e um tanto desastrada, já que ela vive caindo ou se perdendo na fazenda. Gwen descreve sua chegada ao Ceilão, inclusive suas impressões sobre a casa, os empregados e a cultura que naturalmente é muito diferente do Ocidente.

Lawrence esconde segredos acerca de seu passado e da morte de sua primeira esposa, Caroline. Os mistérios do passado de Lawrence foram perturbadores para o início da vida de casado com Gwen e consequentemente afetaram sistematicamente a relação dos dois.

Além dos problemas decorrentes do passado de Lawrence, Gwen ainda precisa lidar com três pessoas complicadas: Christina que é uma banqueira americana que além de rica é muito bonita e vive rondando perto de Lawrence; Verity que é a irmã mimada de Lawrence e uma grande pedra no sapato e por último com Savi Rashinge que é um cingalês charmoso e prestativo.

Todas as dificuldades de Gwen no início do casamento tornam-se fichinha após a sua gravidez, pois ela é obrigada a dividir a alegria de conceber um filho com o peso de um grande segredo que terá que carregar consigo. Os segredos aniquilam a paz e a tranquilidade de qualquer ser humano e tornam insuportável o viver, assim será com nossa protagonista.

O livro é narrado sob o ponto de vista de Gwen e temos como pano de fundo a história do Ceilão. A autora tenta retratar as condições de vida local, as diferenças culturais entre o Ocidente e o Oriente e causa espanto a desigualdade social que existia até entre os cingaleses e os tâmeis.

Havia também desigualdade social entre os que trabalhavam nas cozinhas e os que trabalhavam nos campos. Outro ponto interessante é que não era uma questão de dinheiro que segregava os indivíduos, era uma questão étnica e cultural. Na trama, temos a representação disso com o cingalês Savi Ravashinge que é um notório pintor rico e bem sucedido e que não é aceito socialmente por ser negro e cingalês, ou seja, era inconcebível um casamento de Savi e uma mulher britânica branca, embora ele fosse tão rico quanto Lawrence por exemplo.

O olhar de Gwen é de incredulidade acerca das desigualdades sociais, inclusive ela tenta lutar contra isso e ser a diferença, porém toda vez que tenta fazer algo para mudar o cenário desigual é severamente criticada.

O livro ainda traz um fato histórico mundial importante que foi a Depressão de 1929, ou seja, a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque que trouxe consequências em todo o mundo, inclusive para os plantadores de chá do Ceilão. A crise de 1929 foi um dos períodos mais longos de recessão econômica do século XX e repercutiu em todo o mundo.

A leitura é muito rica sob o ponto de vista cultural e histórico e o romance é muito interessante. É um livro denso com mais de 400 páginas e pouco impactante, pois o enredo é linear, portanto, não há sobressaltos nem restrospectos, que são elementos que muitas vezes tornam a leitura mais eletrizante. Esse é o segundo romance da autora que pela escrita e estudo, percebe-se que é muito concentrada e detalhista.

Ler esse livro é como tomar mesmo um chá das cinco: sereno e tranquilo.