CLÁSSICO DA LITERATURA INFANTIL

O livro clássico “A Bela e a Fera” foi publicado pela primeira vez em 1740, na França. Todavia há várias versões desse conto de fadas francês.

Em 1991, a Disney lançou um filme animado dirigido por Kirk Wise & Gary Trousdale e em 2017 foi lançado o tão esperado filme live-action protagonizado por Emma Watson, interpretando a Bela. A Editora Universo dos livros lançou uma edição desse mesmo conto com a capa do filme e há várias semanas está entre os livros mais vendidos no Brasil.

Nesta versão, Bela não tem irmãos ou irmãs. Ela vive com seu pai que trabalha fabricando caixinhas de música.

Certo dia, Maurice, pai de Bela, parte em uma viagem para vender suas caixinhas de música e no retorno acaba refugiando-se no Castelo da Fera.

O castelo da Fera foi encantado por uma fada disfarçada de velha mendiga que no passado oferecera uma rosa a um príncipe soberbo que, recusando-a, foi transformado em fera. Os criados do príncipe foram transmutados em objetos domésticos e ele tem um prazo para se casar com uma mulher que aceite seu amor até que a última pétala de uma rosa se precipite.

Para cumprir um pedido de Bela, Maurice pega uma rosa no jardim do Castelo para levar para ela e acaba sendo preso pela Fera sob a acusação de ladrão.

Enquanto tenta salvar a vida do pai, Bela troca de lugar com ele e seu castigo é ficar presa no Castelo eternamente.

“A palavra fera veio à sua mente enquanto ela o encarava. A criatura parecia ter saído de um pesadelo: o monstro à espreita dos contos de fadas que ela lera na infância”.

Bela é uma garota de uma aldeia francesa que se acha desencaixada para os costumes da aldeia. Ela ama livros e com eles realiza as viagens mais fantásticas que se possa imaginar. Em um lugar tão simples, os livros são o único passaporte de Bela para um mundo vasto e bonito.

“Diante dela estava a coisa mais linda que já vira. Era uma biblioteca. Mas não uma qualquer. Devia ser a maior e a mais grandiosa biblioteca de toda a França.”

O fato de Bela saber ler incomoda as pessoas da aldeia, pois as mulheres não podiam aprender a ler naquela época, apenas os homens. Ela é uma agitadora e, tendo em vista que a história foi escrita em 1740, é possível entender que a autora queria levantar essa bandeira de empoderamento feminino e nossa personagem é essa voz para o mundo.

Apesar de sofrer com as críticas dos aldeões, a garota não se retrai ou acovarda.

“Até um relógio quebrado fica certo duas vezes ao dia”.

Os contos de fadas em sua grande maioria reforçam o Complexo de Cinderela que traz a mulher submissa. Todavia, esse conto de fadas traz uma mulher empoderada. Aqui, não temos um príncipe como salvador: temos uma mulher responsável pelo destino de um príncipe e de todos os empregados.

Há muitas críticas que alegam que Bela sofreu da Síndrome de Estocolmo que é quando a vítima se apaixona pelo seu carcereiro. Porém, nesse conto, não há que se falar nisso, pois a Fera também é uma vítima. Por suas atitudes soberbas, a Fera acabou sendo aprisionado a um destino cruel como punição.

A grande moral da história talvez seja o repúdio à valorização da aparência e de incentivar a busca pelas qualidades do ser humano.

Bela citando trecho do livro “Sonho de uma noite de verão” de Shakespeare.

“O amor pode transpor a forma e a honra. O amor não vê com os olhos, vê com a mente.

– Por isso é alado, é cego, é tão potente.”

Reforçando a nossa história, é possível citar outro clássico da literatura infantil “O essencial é invisível aos olhos”, de Antoine Saint-Exupéry.

Leitura obrigatória para pessoas em qualquer momento da vida. Abra seu coração para ler esse livro e somente boas reflexões surgirão.