O livro “A última mensagem de Hiroshima” conta a história de um homem que teve sete chances de morrer e sobreviveu a todas elas carregando consigo um único propósito: a paz.

Prefacialmente, cabe explicar alguns fatos históricos. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Japão era aliado da Alemanha e da Itália e lutavam contra os Estados Unidos e os soviéticos.

O povo nipônico sempre foi muito disciplinado e leais ao imperador, então não lhes cabia questionar os motivos da guerra, apenas servir ao comando do Imperador.

“Fomos ensinados desde cedo a honrar nossas origens, o que envolve o amor à pátria, o respeito à hierarquia e à tradição, além da devoção irrestrita ao imperador, que era visto como uma divindade pelo povo japonês”.

Os japoneses também foram responsáveis pelo ataque a Pearl Harbor com os kamikazes, que eram japoneses suicidas pilotando aviões. Em 6 de agosto de 1945, o Japão não se rendeu e isso custou o ataque dos EUA, em que estes lançaram uma bomba atômica na cidade de Hiroshima e, em 9 de agosto de 1945, também na cidade de Nagasaki.

“Foi assim em Hiroshima: de uma hora para outra, não sabíamos se a cidade havia sido transferida para o inferno”.

Takashi Morita nasceu em Hiroshima e é de uma família de agricultores. Ele aprendeu o ofício de relojoeiro e ingressou na polícia militar japonesa.

“Mas na guerra não há lugar para nossa vontade. Nossos sonhos se perderam quando o imperador anunciou que estávamos participando de um conflito. A partir de então, seria matar ou morrer pelo país”.

Após passar em um exame muito difícil, Takashi ingressa na Kempetai, a Polícia Militar de Elite do Japão, e foi neste período que ele vivenciou o fatídico 6 de agosto de 1945.

“O problema de valorizar a pátria acima de tudo é que, às vezes, os valores humanos são deixados de lado”.

“Tempos de guerra são tempos de absurdos, e o pior que pode acontecer ao ser humano é ver o absurdo como algo normal. Isso nos priva de nossas maiores virtudes: amar e sentir compaixão”.

Takashi viveu o horror da bomba atômica, tentou ajudar a quem conseguiu e, sobretudo, tentou tirar lições de algo tão monstruoso como uma guerra.

“Ninguém espera tanta destruição em um dia tão bonito. Não era possível imaginar algo assim. Pelo menos, não até o dia 6 de agosto de 1945”.

O livro conta detalhes que jamais seriam possíveis imaginar acerca das bombas atômicas. Os EUA aproveitaram a não rendição do Japão para experimentar as bombas nucleares compostas de urânio e plutônio.

Os dias seguintes ao lançamento da bomba também foram também de muita tristeza. É difícil comemorar um tufão. Todavia, a natureza ajudou as cidades de Hiroshima e Nagasaki a atenuar os efeitos da radiação.

Felizmente, após a Guerra, Takashi conheceu o amor de sua vida, Ayako, que o ajudou e perseverou com ele após a Guerra. A família Morita passou por muita dificuldade e teve que imigrar para o Brasil.

O livro é uma aula de História e Takashi foi um exemplo de sabedoria, pois usou sua história pessoal para lutar pela paz. Takashi hoje tem 93 anos, vive em São Paulo e é muito respeitado pela luta pelos sobreviventes à bomba atômica.

O livro despertou uma imensa vontade de conhecer o Sr. Takashi, sentar em sua mercearia e ouvir a história de sua vida. Ainda bem que esse livro mata um pouco dessa vontade.

Literatura muita rica e uma história que merece ser ouvida, pois apesar de toda a dor, a última mensagem de Hiroshima é a PAZ.