O livro As mil noites foi lançado em 2016 pela Editora Intrínseca e traz a mente dos leitores o clássico do imaginário de todos, que são as histórias de As mil e uma noites com Ali Babá, Sherazade e outros tantos. O nome da autora é Emily Kate Johnston que prefere usar a abreviação E. K. Johnston.

A história do clássico As mil e uma noites se repete também no livro quase homônimo As mil noites, porém com algumas particularidades. Lo-Melkiin é um rei tirano que já matou 300 noivas e não tenciona parar de sentenciar a morte cada garota que ele escolher como noiva.

A lei determina que Lo-Melkiin escolherá uma noiva de cada aldeia, só que nenhuma garota almeja ser a rainha, pois essas noivas só vivem até a noite de núpcias. Ninguém sabe ao certo a razão de suas mortes ou como elas morrem, só sabem que elas simplesmente morrem.

A garota ama sua irmã de todo coração e sabendo de sua beleza encantadora sabe que ela será escolhida dentre todas de sua aldeia. Então, para salvar a irmã do mórbido casamento, a garota se enfeita, veste seu melhor vestido e com isso consegue chamar a atenção do rei para que seja a sua escolhida. O plano da garota é bem sucedido e ela é levada para casar-se no qasr de Lo-Melkiin, entretanto o que ela não sabia é que duraria bem mais que uma noite.

“Eu aprenderia nas noites que viriam que o medo queimava depressa, mas o amor queimava com força. Para minha sorte, os dois eram úteis, porque, em pouco tempo, ninguém mais amaria Lo-Melkhiin”.

A garota é boa em contar histórias e a cada dia um grande poder surge, tornando-a não apenas uma sobrevivente, transforma-a em uma verdadeira rainha. A garota teme, mas o amor pela família e por seu povo é maior do que qualquer temor. A história da garota é uma história de devoção aos costumes, à família e ao divino, valores que nunca devem se perder em nenhuma cultura, pois são esses valores que guiam a humanidade para o caminho do bem.

“Meu coração acelerou, e, a princípio, pensei que estava com medo; mas então abri os olhos, e vi como as mulheres para mim, como se eu fosse uma rainha de verdade, e entendi que não era medo o que eu sentia correndo com o sangue em minhas veias”.

A capa do livro é aveludada e vai ser inevitável não ficar horas amaciando o livro, vai virar um travesseiro e a história é um mergulho na cultura oriental que fascina com a beleza e a força do deserto. Também é quase impossível não sonhar com uma noite iluminada de estrelas no deserto depois dessa leitura.

Foi muito curioso saber que para sobreviver ao deserto é necessário ingerir sal e você pesquisará sobre muitos assuntos, tais como relógios de água, víboras, pão de ázimo, uádi e tantos outros.

O fato da autora não dar nome a personagem principal, revela uma nuance interessante da cultura oriental que perdura até os dias atuais que é o fato da mulher não ter um papel muito importante nessas sociedades, elas viviam à margem dos homens.

Na história o personagem masculino tem um nome expressivo e muito pronunciado “Lo-Melkiin”, enquanto que a personagem feminina da história sequer tem seu nome revelado. Apesar da valorização do masculino na história, há beleza e fortaleza na garota que aos poucos descobre ser detentora de grande poder que será capaz de salvar sua própria vida e a de um povo subjugado por alguma força maligna. Na trama, o poder do feminino é tão essencial quanto a força do masculino e será a garota de fundamental relevância para determinar o destino de um povo inteiro. A leitura traz a reflexão de que não há superioridade entre homens e mulheres, pois o que deve existir é elo, união e força conjunta.

Os livros sobre o Oriente são sempre dotados de beleza e os personagens são míticos e sábios, assim como Lo-Melkiin e a Garota neste livro. Aproveite a leitura e a sabedoria.