Jacob era só um adorável garotinho de 5 anos, lindo e protegido pela mãe. Será que é possível mesmo proteger aqueles que amamos e assegurar que nenhum mal aconteça?

A mãe de Jacob pensou que ele estava seguro com ela, mas em uma fração de segundos, em um piscar de olhos e a vida de Jacob foi ceifada da forma mais cruel.

“Aos poucos, sem me dar conta, minha tristeza se transformou; passou de uma dor viva, dilacerante, impossível de ser apaziguada, para um sofrimento surdo e constante, que consigo relegar a um canto da minha mente. Se for deixado ali, calado e sem que nada o perturbe, sinto-me capaz de fingir que tudo está muito bem. Que nunca tive outra vida…”

O garotinho foi atingido por um carro que vinha a toda velocidade e o acertou em cheio e o mais cruel é que o motorista sequer prestou assistência. Será que o motorista foi tomado por um pânico e fugiu do acidente? Será que foi proposital ou pura negligência? Que carro atingiu Jacob? Quem é o motorista que fugiu? Perguntas demais que deram início a uma grande investigação criminal.

A vida da mãe de Jacob foi arrasada com a morte repentina e dolorosa do garotinho. E foi então que ela partiu.

“As pessoas manifestavam dois tipos de reação quando perdiam alguém: ou juravam nunca mudar de casa, mantendo todas as peças exatamente como haviam sido deixadas, transformando-a em uma espécie de santuário; ou faziam um rompimento definitivo, pela incapacidade de suportar a ideia de viver cada dia como se nada houvesse mudado quando, na verdade, o mundo inteiro estava diferente”.

O país todo se comoveu com a morte de Jacob e todos queriam saber quem causara a morte dele. Alguém precisava ser responsabilizado pela irreparável vida do menino. O trabalho árduo de dar respostas ao público foi do investigador Ray e sua parceira Kate que, avidamente, buscaram todas as respostas, seguiram todos os caminhos em busca da verdade e não sossegaram até desvendar o caso.

Creio que nos últimos anos, talvez tenha sido uma das melhores histórias que eu já li. Assim como o livro Os mentirosos, fui pega de surpresa em vários momentos da história. A narração até segue linear nas primeiras 100 páginas do livro, mas depois é de embasbacar qualquer um com a reviravolta que toma. A partir da metade do livro, é uma reviravolta atrás da outra. Quando você achar que sabe o rumo da trama, ela te deixará perplexo com as revelações.

O livro traz um tema muito delicado e complexo: Violência doméstica. Esse foi o primeiro livro que li sobre violência doméstica e isso me atormentou muito. Muitos trechos são muito difíceis de ler. É aterrorizante imaginar que milhares de mulheres passam isso diariamente. O texto traz reflexões sobre as razões de suportar a violência e de não procurar ajuda.

Olha que as razões para não correr para a polícia são as mais diversas. Temos desde ao imenso amor pelos parceiros, como também culpa, vergonha e precipuamente, muito MEDO. Inevitavelmente, o texto fará você lembrar-se de algum caso de violência psicológica e física ou até algo que você tenha passado.

Outro grande tema do livro é a culpa. O título do texto faz você imaginar um amor deixado, uma culpa velada ou possivelmente as nossas covardias diárias. No caso da trama procura-se um culpado para o que aconteceu com Jacob e a morte do garoto repercutirá profundamente na vida de todos os envolvidos na trama.

O livro Deixei Você ir de Clare Mackintosh é um grande drama e durante a leitura costumava definir os personagens dizendo que quando você imaginar que está lendo a história de um personagem será tomado de surpresa ao perceber que está lendo a história de outro personagem. Na vida real, as nossas histórias também se confundem muito com as de outras pessoas, pois os dramas, as dificuldades são quase os mesmos. Não adianta querer colocar nossos amados em redomas, o amor não protege, apenas acontece.

A leitura desse livro é imperdível e eletrizante.