Olhei esse livro e pensei como fazer o “hoje” ser diferente. Imaginei diversos cenários nos quais o livro ia me mostrar a fórmula mágica. Quando li a primeira vez sobre ele, pensei que me ajudaria a realmente fazer diferente.
Hoje vai ser diferente conta a história de Eleanor, uma mulher inteligente e que decidiu se transformar em uma pessoa melhor. Seu projeto é sorrir mais, cumprimentar as pessoas olhando nos olhos, brincar com o filho e dar mais atenção ao marido.
Quando vi logo pensei: quem não quer isso?

Me peguei pensando em quantas vezes faço as coisas no automático durante o dia ou quantas vezes poderia ter dado mais atenção a alguém ao invés de apenas fingir que escuto.
Uma coisa sobre esse livro é que ele parece escrito pra você. Ele diz cada sentimento que você tem no fundo do seu coração. Ele sabe que você tolera as pessoas e critica ações ridículas pra você mesma. E finge estar tudo bem pois melhor seguir a vida e ignorar, certo?

E essa era minha dúvida. Estou certa nisso? Eleanor não estava e me vi errada também. A personagem é de uma loucura tão sã e crua que mesmo querendo bater nela, ameacei abraça-la. Eleanor é só mais uma mulher de cinquenta que percebeu que não estava fazendo nada. Percebeu que se encontrava toda semana com a amiga que odiava, percebeu que não memorizava mais as coisas e que não sabia lidar com a falta da irmã. Eleanor é aquela que procrastina. Enrolou pra entregar um livro, enrolou pra entender o marido e enrola para tudo.

Esse livro é maravilhoso e assustador. É daquele que você quer ler e quer parar. Me apavora que alguém consiga entender os devaneios da minha mente. E apavora mais ainda que mais alguém tenha os mesmos devaneios.
Não é um livro fácil. Em diversos momentos eu me perguntei quem tinha algum problema intelectual: a autora, a personagem ou eu. É confuso e me perdi diversas vezes. Quando me achei, pensei: agora sim fez sentido!

Vou levar esse livro pra minha vida. Não aprendi como fazer o hoje diferente mas aprendi tanto de mim e tanto sobre não deixar as coisas chegarem à insanidade. Eleanor finalmente encontra seu equilíbrio e nos mostra apenas que cada um de nós sabe chegar lá. Basta querer.
Obrigada por tanta loucura, Maria Semple. Deu ao meu caos um pouco de paz.