O Livro Loney foi lançado pela Editora Intrínseca em junho de 2016 com uma capa linda de doer. Esse é daqueles livros que a capa já convence o leitor a querer ler o livro.

Loney é uma praia da costa da Inglaterra e é esse lugar insólito que causa tanta expectativa na vida dos personagens, ora a redenção, ora o terror.

Há um grupo católico, excêntrico e demasiadamente fervoroso, que costumavam ir na Páscoa para Moorings e após alguns anos esse mesmo grupo resolve retornar ao lugar com uma intensa expectativa de que o lugar ajudaria na concepção de um milagre.

A história é narrada por Smith quando ele era um jovem garoto. Na oportunidade da visita de Smith ao Loney, ele é acompanhado por seus pais e seu irmão Hanny (Andrew), outros dois casais e o Padre Bernard que é o substituto do antigo pároco que morreu recentemente.

O grande milagre que os religiosos esperam é que Hanny volte a falar. Para muitos, Hanny é considerado um retardado e precipuamente sua mãe crê que seguindo todos os rituais da Semana Santa e com muita oração no santuário Hanny cura-se-á da mudez.

O problema é que o lugar é muito apático. É um lugar frio, assombroso, decrépito que só piora com a rivalidade entre os visitantes e os moradores do lugar.

A religião é o ponto central da trama, com a efervescência da crença e as contradições humanas, onde as próprias atitudes terrenas são contraditórias com as orações pronunciadas. Toda a complexidade religiosa é frequentemente pano de fundo para discórdia entre o grupo.

A priori, gostaria de esclarecer que a história não é um terror psicológico. A capa do livro e os comentários iniciais no livro fazem crer que é uma história de terror. Isso é um tremendo equívoco, pois a história tem aspecto de um drama mesmo, com conflitos religiosos e familiares. Talvez tenha sido imputado como gênero de terror por conter personagens estranhos e a história ser revelada em um lugar hostil como o Loney.

Vale a pena ler a história por causa do afeto entre os irmãos Hanny e Smith que perdura por toda a vida. Smith simboliza o amor e o zelo fraternal com todo o cuidado despendido com Hanny.

Em contrapartida, o enredo deixa muito a desejar por que quando parece que as coisas vão finalmente acontecer e a história vai engrenar, é brutalmente cortada por um capítulo sobre religião. O livro é uma constante promessa que não se cumpre, o que é muito lamentável, pois Andrew tinha tudo para escrever uma história fantástica. Os elementos estavam todos ali, mas os fatos não sobrevieram e a trama ficou incompleta. A sensação que fica, é que Andrew apresentou o Loney e em seguida irá de fato apresentar a história.

Sinopse:

Quando os restos mortais de uma criança são descobertos durante uma tempestade de inverno numa extensão da sombria costa da Inglaterra conhecida como Loney, Smith é obrigado a confrontar acontecimentos terríveis e misteriosos ocorridos quarenta anos antes, quando ainda era criança e visitou o lugar.

À época, a mãe de Smith arrastou a família para aquela região numa peregrinação de Páscoa com o padre Bernard, cujo antecessor, Wilfred, morrera havia pouco tempo. Cabia ao jovem sacerdote liderar a comunidade até um antigo santuário, onde a obstinada sra. Smith crê que irá encontrar a cura para o filho mais velho, um garoto mudo e com problemas de aprendizagem.

O grupo se instala na Moorings, uma casa fria e antiga, repleta de segredos. O clima é hostil, os moradores do lugar, ameaçadores, e uma aura de mistério cerca os desconhecidos ocupantes de Coldbarrow, uma faixa de terra pouco acessível, diariamente alagada na alta da maré. A vida dos irmãos acaba se entrelaçando à dos excêntricos vizinhos com intensidade e complexidade tão imperativas quanto a fé que os levou ao Loney, e o que acontece a partir daí se torna um fardo que Smith carrega pelo resto da vida, a verdade que ele vai sustentar a qualquer preço.

Com personagens ricos e idiossincráticos, um cenário sombrio e a sensação de ameaça constante, Loney é uma leitura perturbadora e impossível de largar, que conquistou crítica e público. Uma história de suspense e horror gótico, ricamente inspirada na criação católica do autor, no folclore e na agressiva paisagem do noroeste inglês.