Por que nem só de livro de escritores americanos se vive, esta é uma resenha do livro do escritor bengali Buddhadeva Bosa chamado “Meu tipo de garota”. O livro foi publicado pela Editora Companhia das Letras em 2011, todavia foi publicado originalmente em Bengali em 1951.

Com esse título, poderíamos facilmente imaginar uma história de jovens em New York contando um romance com final feliz ou não.

Pois você está redondamente enganado, assim como eu estava. O livro retrata o encontro de quatro passageiros de trem na estação ferroviária de Tundla.

São completamente desconhecidos um para o outro, esses quatro homens de meia de idade. Houve um incidente com o trem que eles estavam esperando e o próximo trem só partiria no dia seguinte.

Imagina o imbróglio. Você está em uma estação de trem, está fazendo muito frio e do seu lado só tem três sujeitos estranhos que você nunca viu na vida e vocês ficarão nessa situação insólita durante a noite toda.

Foi isso que aconteceu com eles: um médico, um escritor, um militar e um empreiteiro. Eles não tinham dado nenhuma palavra um com outro, até que surge um casal recém-casado e isso aguça a curiosidade de todos. Será que estavam casados há pouco tempo? Quanto tempo duraria a magia do amor?

Foi então que eles resolveram contar histórias de amor vividas ou que apenas tinham conhecimento, felizes ou infelizes. Um a um começam a contar as histórias durante toda a noite.

O primeiro a fazer o relato é o empreiteiro que conta a história de Makhanlal que se apaixona pela vizinha. O segundo é o militar que conta a própria história de sua paixonite por Pakhi que acabou casando com outra pessoa. O terceiro é o médico que conta a história de amor de seu casamento arranjado e mesmo assim a única história feliz. Finalmente o escritor conta a paixão concomitante nutrida por ele e seus dois amigos pela jovem que morava na casa alugada que pertencia ao pai de um dos amigos.

O livro retrata um mundo totalmente novo, exibindo os costumes e tradições da sociedade indiana da primeira metade do século XX. Vale a pena abrir os horizontes e buscar leituras de outros países, pois estamos muito familiarizados com leituras americanas que são muito boas por sinal, todavia não custa ler sobre algo novo.