O livro Miral da escritora israelense Rula Jebreal é um grande presente ao leitor e uma excelente oportunidade de ouvir a história do Oriente e todas as suas vicissitudes, através das palavras de um sobrevivente. O livro foi lançado em 16 de junho de 2011 pela Editora Presença.

A história é fantástica, mas é impossível não dar ênfase à própria escritora que nasceu em Haifa (Israel) e que sua história foi pano de fundo para a personagem do livro. Rula viveu no orfanato de Dar El- Tifel em Jerusalém, depois foi estudar na Europa e formou-se em jornalismo.

O livro conta a história de quatro mulheres extraordinárias. A primeira delas é Hind Husseini, que encontra um grupo de cerca de cinquenta crianças abandonadas. Responsabiliza-se por elas e funda um orfanato para crianças palestinianas, Dar El-Tifel. Para Hind a educação é o melhor caminho para a paz. Hind é o tipo de ser humano raro, extraordinário, que dedicou toda a sua vida a fazer o bem. Pessoas como Hind deveriam existir em cada bairro, para contaminar com o bem, para espalhar o amor. Hind não esperou, ela fez acontecer, por isso minha admiração por essa mulher não tem palavras.

A segunda mulher do livro é Nadia, mãe de Miral que é a protagonista do livro. Nadia sofreu muitos abusos sexuais de seu padrasto na juventude e só uma pessoa com muita força consegue passar por isso. É preciso muita coragem para continuar a viver em situações tão periclitantes e humilhantes.

A terceira mulher do livro é Fatima, que é tia de Miral. Essa jovem lutou pelo seu povo com garra e determinação até que foi presa e foi na cadeia que conheceu Nadia.

Finalmente, eis Miral, a protagonista da história, uma jovem inteligente e revolucionária. Miral perdeu sua mãe muito jovem. Então seu pai a levou para o orfanato de Dar El-Tifel onde viveu juntamente com sua irmã até completar os estudos.

Todos os dias, Miral era confrontada com a dura realidade de Jerusalém, onde os conflitos eram cada vez mais intensos e por isso resolveu tornar-se uma ativista política, participando de manifestações, conhecendo grupos palestinos que lutavam contra os israelitas. Nesse sentido, a capa do livro lança uma pergunta sensacional “É essa a cara de um terrorista?”.

A história me trouxe certo discernimento de que o conflito no Oriente é muito mais complexo do que o que estamos acostumados que é retratado no cinema norte-americano. Não tem preto no branco, é tudo muito delicado, pois são dois povos sem terra.

Em última análise, aquilo não era tanto uma guerra, mas um conflito visceral e ancestral entre dois povos”.

A história foi adaptada ao cinema com realização de Julian Schnabel e as interpretações de Freida Pinto (Filme Quem quer ser um milionário) e Willem Dafoe.

Essa leitura despertou o desejo de ler outros livros de escritores do Oriente.