O sucesso do livro Os 13 porquês.

O livro Os 13 porquês é um tremendo sucesso mundial desde o seu lançamento e ganhou maior notoriedade aqui no Brasil em 2017, após a estreia do seriado 13 reasons why da Netflix. O livro foi lançado pela Editora Ática aqui no Brasil.

De repente só se ouvia falar de Hannah Baker e em decorrência de tamanha repercussão foi inevitável não iniciar essa leitura.

O livro conta a história da adolescente Hannah Baker que cometeu suicídio aos 17 anos. Na verdade, o livro não conta a história do suicídio e sim as razões do suicídio.

Pois bem, Hannah Baker grava 7 fitas com 7 histórias e 13 personagens. Cada fita tem um personagem central e Hannah descreve alguma atitude ou fato que impactou a vida dela, inclusive que a fizesse tomar essa terrível decisão. Cada história é uma razão do fim da sua vida.

“Preciso que tudo pare. As pessoas. A vida”.

O livro conta histórias vivenciadas no High School americano em que é muito comum ocorrer bullying. O High school americano é sempre relatado em livros, filmes e séries como um período muito difícil para os adolescentes. Há sempre os mesmos estereótipos: o garoto riquinho que normalmente é o astro do basquete ou futebol americano, a patricinha que namora o jogador playboy e que normalmente tem mais duas ou três amigas que se espelham nas atitudes dessa “celebridade escolar”. No nosso livro, temos Tyler como esse astro e Courtney como a garota popular.

Acerca do high school, basta lembrar-se do seriado Gossip Girl com a Rainha Blair e Serena ou então do filme as As Patricinhas de Beverly Hills, ou ainda dos livros A Lista negra e Eleanor & Park. O High school é sempre muito cruel para quem não se enquadra nos estereótipos aceitáveis. Infelizmente, o bullying pode declinar tragédias escolares que já acompanhamos várias vezes nos telejornais.

Hannah não se enquadrou nos estereótipos populares do High School, pois ela não era popular ou a estrela da escola e ainda teve que carregar uma fama construída pela crueldade dos amigos que seria a de menina fácil.

“Porque eu ouvi histórias que não sei qual é a mais famosa. Mas sei qual é a menos. A verdade. Agora, a verdade é a que vocês não vão esquecer.”

Boatos foram sendo criados e espalhados na escola e a cada novo boato a vida de Hannah foi escoando, esgotando. A cada decepção com os colegas da escola, ela sofreu um golpe cada vez mais duro de suportar.

“Eu queria apertar stop e voltar a conversa inteira deles. Para voltar ao passado e alertá-los. Ou até mesmo impedi-los de se conhecer. Mas não posso. Não podemos reescrever o passado”.

Há dias que é mesmo difícil continuar, respirar, seguir em frente. Nesses fatídicos momentos, faltou a Hannah alguém que a lembrasse das razões para continuar, a família para oferecer o apoio ou os bons amigos para desviar a dor. Ela não teve a chance de estabelecer boas relações no colégio, tampouco de se conectar com ninguém.

No livro, Clay é o cara da escola por quem Baker é apaixonada, mas os boatos e a timidez o impediram de demonstrar seus verdadeiros sentimentos por ela. Clay e Hannah foram fracos demais para admitirem que gostavam um do outro. Ficou uma pergunta no ar: “Será que um amor verdadeiro teria salvado a vida de Hannah?”. Difícil saber, pois o amor também é devastador.

Clay recebe também as fitas e isso é muito doloroso para ele, pois é muito duro saber que ele também está nas fitas e a angústia de imaginar o que poderia ter feito para estar nessa lista.

“Odeio o que você fez, Hannah… você não precisava ter feito isso. Odeio sua escolha, Hannah”.

No livro, Hannah deixa claro que foi uma escolha sua, apesar de relatar o impacto dessas pessoas em sua escolha. É controverso. Muitas pessoas acham injusta a atitude dela ao gravar as fitas sobre essas pessoas, todavia por mais duro que seja saber o impacto que causamos às pessoas, é um alerta muito válido.

O assunto tratado no livro é muito sério e o autor foi muito corajoso de abordar esse tema, daí tamanha a repercussão do livro. É fácil jogar nossas fraquezas embaixo do tapete, difícil mesmo é expor, discutir e principalmente se importar com o outro. Tantas vezes, estamos tão imersos em nosso egoísmo que nos esquecemos de olhar o outro, de prestar atenção, de oferecer ajuda.

“Sentindo falta dela com um coração que, por si só, se sente tão frio, mas que aparece quando os pensamentos sobre ela fluem através de mim”.

Aproveitando a leitura, é bom refletir sobre nossas ações e fazermos um esforço para ter um olhar mais benevolente com as pessoas que convivemos na escola, no trabalho, na faculdade, na nossa família. O livro é emocionante e nos traz uma reflexão muito dura, mas necessária.