Tenho que confessar: não sou do tipo que se emociona ao ler um livro. Mas depois de terminar ‘Um dia’ ficou bem complicado dizer isso com tanta certeza.

‘Um dia’ é daqueles livros para a vida. Sim, para a vida. Porque não é só um livro de romance em que a menina nerd se apaixona pelo garanhão da escola e sofre anos por esse amor. Nada disso. ‘Um dia’ vai além e provoca reflexão, tira sarro e desafia o leitor a repensar muito de suas atitudes.

A história conta como Emma e Dexter, em meados de 15 de julho de 1988, começaram sua relação conflituosa e cheia de reviravoltas. Após o baile de formatura, eles dormem juntos e no amanhecer, o que paira é a certeza de que não voltaram a se ver nos anos que se seguem, já que cada um quer viver a vida de um jeito bem diferente do outro. Esse é o primeiro doce engano.

Emma é uma jovem cheia de sonhos simples e uma louca vontade de mudar o mundo. Não o mundo todo, como ela mesma diz, mas um pouquinho ao seu redor. Dexter é o seu inverso: quer desbravar lugares, conhecer novas coisas e experimentar novas sensações. E isso inclui estar sempre com novas mulheres.

Acontece que o destino não é tão simples para ambos. Durante vinte anos, a história enfocada em 15 de julho mostra como eles estão seguindo suas vidas, sempre no mesmo dia. Ainda amigos, desde o pós-formatura, Emma e Dexter passam por maus e bons bocados. Em alguns momentos estão juntos, noutros, nem se olham. E é essa a grande sacada do autor.

Ao terminar de ler ‘Um dia’ o leitor vai experimentar a sensação de ter vivido toda a trama com os personagens como se estivesse lá dentro. Da paixonite ao amadurecimento, vive-se uma intensa transformação e uma série de conflitos que, como se vê mais à frente, faz todo sentido. O livro passa, assim, a sensação de proximidade, desenvolvimento e inteligência que poucos do gênero são capazes de trazer.

Quanto à adaptação cinematográfica estrelada por Anne Hathaway e Jim Sturgess (2011), é bem fiel ao livro. Claro que há pequenas mudanças quanto ao roteiro (isso sempre acontece porque é necessário), mas ainda assim, vale a pena assistir.

Só para deixar com ainda mais vontade, dá só uma olhada no trailer: