Lançado em 1984 “Tocaia Grande: A face obscura” foi o antepenúltimo romance de Jorge Amado e chegou a tornar-se novela, exibida pela extinta Tv Manchete, em 1995. Consegui uma edição da Editora Record – de 1986 – bem “sofrida” em um sebo aqui da região. O livro narra desde o nascimento do povoado de Tocaia Grande até o seu final. Ao longo da obra vamos conhecendo, e nos apegando, aos seus personagens, suas relações, suas lutas, conflitos e dilemas. Vários elementos recorrentes do universo de Jorge Amado se fazem presente: jagunços, prostitutas e outros seres marginalizados, coronéis cujas palavras possuíam peso indiscutível e a força do ciclo cacaueiro.

De acordo com frei Zygmunt – um dos personagens, Tocaia Grande não passaria de um abrigo de bandidos e putas, onde imperava a luxúria; bem diferente da visão do Capitão Natário da Fonseca – um dos protagonistas – para quem Tocaia Grande era um verdadeiro paraíso. O nome do povoado remete a uma grande tocaia que acontecera naquelas terras, verdadeiro banho de sangue – era uma época de disputas entre coronéis – antes de “a paz” ser estabelecida.

Sabe esses livros que te absorvem? Você se aproxima dos personagens, se apega, festeja, se alegra e sofre junto. Em certo momento começa a ficar tenso, pois as páginas estão chegando ao fim e você quer continuar essa “convivência”. Mas como toda história, ela tem um fim… e que fim! Ao terminar de ler Tocaia Grande: A face obscura me senti com a “alma lavada”.