O Netflix quer melhorar a qualidade do envio de vídeos pela internet, ajudando usuários com conexões mais lentas (e até quem tem internet de alta velocidade) a terem vídeos de melhor qualidade e, ao mesmo tempo, desafogar a internet. Mais de 60% do tráfego da web em todo o mundo é ocupado por serviços de streaming de vídeo, tendo o Netflix como principal “vilão” das operadoras em todo o mundo.

Desde 2010, o serviço de streaming que está em computadores, videogames, set-top-boxes, celulares, tablets e TVs inteligentes faz com que todos os filmes sejam analisados por seu sistema e enviados da mesma forma ao usuário. A partir de agora, isso muda: cada filme será analisado e encodado separadamente e enviado pela internet ao usuário de forma diferente com o objetivo de otimizar a quantidade de dados enviados e, com isso, melhorar a qualidade que o filme chega ao aparelho.

“Queremos melhorar a qualidade visual [dos filmes e seriados] para todos os usuários independentemente do dispositivo que usam e da velocidade da internet que possuem”, disse Anne Aaron, gerente de algoritmo de vídeos do Netflix. “Queremos uma melhor experiência de streaming”.

Melhor experiência e salvando a rede

Ela conta que em 2010 foi definido pelo Netflix que, em média, conexões com velocidade de 2 Mbits traz imagens de 480p de resolução e velocidades acima de 6 Mbits para 1080p (Full HD). A partir de agora, cada filme terá sua própria regra de envio e, em tese, essa regra deixa de se aplicar.

Queremos ser legais com a internet e não desperdiçar banda”

Anne explica que com a mudança, filmes que antes não apresentavam imagens em HD para conexões mais baixas agora podem apresentar. “Cada cena será analisada em encodada de forma única. Não é mais ‘one size fits all'”. Filmes com menos cenas de ação, menos movimentados, e até mesmo desenhos (que possuem menos texturas do que um filme de ação), rodarão em resoluções mais altas com conexões mais lentas, pois o sistema do Netflix fará essa análise durante o processo de codificação do vídeo para o sistema de streaming. Filmes com mais cenas de ação e com texturas como o granulado da película, segundo a executiva, também terão melhorias.

Foi um ano de testes e, no momento, 30% dos títulos disponíveis já usam a novidade. Até o final de 2016 a intenção é que todo o catálogo já use a nova tecnoloiga. Ela conta que o trabalho de codificação dos vídeos vai levar mais tempo do que o normal, mas isso não provocará atrasos nos lançamentos.

Com essa melhoria nos filmes, o tamanho deles vai diminuir. Com menos dados trafegando pela rede, o Netflix vai reduzir o a quantidade de dados enviados pela rede. “Queremos ser legais com a internet e não desperdiçar banda. O que conseguirmos salvar desta banda em um videogame na casa do usuário poderemos usar em outro dispositivo na mesma casa, que também poderá assistir a outro vídeo do Netflix”.

O Netflix afirma que fará o mesmo processo com seus filmes em 4K, mas que isso ocorrerá só após todo o catálogo atual Full HD passar para o processo. Assim, filmes com essa ultra-alta definição poderão ser assistidos com conexões (um pouco) mais lentas.