Essa é minha primeira aventura no Pipoca Nerd e fui totalmente sequestrada pelos anos 80. Época onde a objetificação do corpo era elogio, cigarro e bebida eram vendidos em programas infantis, e onde nossa estrela Samantha!  (com exclamação) vive.

Esse é um texto gonzo sobre a segunda temporada de SAMANTHA!, série original Netflix que combina muito com o jeitinho brasileiro de ser.

Os três primeiros episódios possuem um peso enorme sobre o roteiro que por parecer sufocante, me fez rir pouquíssimas vezes. Porém, a partir do quarto episódio, me senti presa a uma sátira que mesclava as duas comédias que envolvem a série: aquela bem boba feita para a risada instantânea e aquela que lhe traz todo um pensamento junto ao riso.

A Netflix soube com maestria adaptar uma nova temática a série que deu pano para manga. Afinal, muitas coisas sobre a protagonista interpretada por Emanuelle Araújo eram desconhecidas. Quem criou Samantha? Por que sempre foi tão complicado trabalhar com ela? Será mesmo que a mulher é uma pessoa ‘ruim’?

Essas dúvidas foram sanadas pouco a pouco, sendo iniciada pelo principal ponto: por que a cantora nunca cresceu? Suas atitudes infantis antes pouco questionadas tomaram conta da segunda temporada. E em uma vontade de provar ao mundo (como sempre) que era uma mulher madura e que tinha mudado Samantha! caminha junto a sua família passo a passo para se entender melhor.

A nova personagem, dona Socorro (Zezeh Barbosa), mais conhecida como mãe de Dodói (Douglas Silva), se encaixou perfeitamente na trama, e deixou claro que poderia ser mãe de qualquer um. A figura super protetora trouxe ao seriado um lado pouco explorado, largando um pouco a estrela principal e contando as histórias e posicionamentos de Dodói, Cindy (Sabrina Nonato) e Brandon (Cauã Gonçalves).

As criticas como sempre existiram, mas sempre com um tom de sutileza tão grande que podem ser despercebidas facilmente.

[SPOILIER]

Posso citar a pequena cena sobre feministas radicais. Cindy sempre trouxe o feminismo para dentro da série, de maneira sutil e que casava muito bem com os acontecimentos. Apesar dessa prévia implícita a cada episódio, quando se foi falar abertamente sobre o feminismo o espaço foi taxado como ‘aproveitador’ e ironizado, brincando com a lenda de que feminista passam sangue de menstruação no rosto.  Acredito que no momento atual esse tipo de abordagem pode ser perigoso, apesar do final da trama ter sido de sororidade pura.

E a série, que deveria ser de comédia e muita sátira aos anos 80, te faz realmente rir, mas também te leva a pensar sobre o que é ser adulto. Essas figuras na série são construídas por infelicidades, obrigações, frustrações e culpa. Quesitos que, apesar de Samantha! tentar eliminar, acabam tornando parte de sua vida, profissão. Com toda certeza esse seria um final ruim, mas por sorte, a frase de efeito bem usada nos capítulos finais traz uma mensagem: É SÓ NUNCA DEIXAR DE ACREDITAR. 

E como prova de que não precisa deixar de ser criança para ser adulto, a série deixa alguns fios soltos que podem ser explorados na season 3 e que me deixaram com um gostinho de quero mais.

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