Salve salve, pipoqueiros!

Recebemos da editora rocco o lançamento e o segundo livro publicado por ela da escritora e ilustradora Aline Valek. O livro é um drama contemporâneo que vai nos apresentar uma cidadezinha que simplesmente afundou e anos mais tarde reapareceu. Só uma observação: simples é só uma forma de falar sobre o tema da história, porque a bagagem emocional que os personagens carregam ao relatar o fim e o reaparecimento dessa cidade é o que move o livro.

Kênia Lopes é uma antiga moradora do Alto do Oeste e resolveu voltar para sua ex-cidade quando soube que ela reapareceu depois de anos afundada. Com a ajuda do seu amigo argentino, ela e Facundo planejam montar um documentário sobre a história e o fatídico dia do afundamento. Kênia com a sua câmera fotográfica e Facundo com seus equipamentos de áudio visual, entrevistam ex-moradores que tiveram a mesma ideia de voltar para a cidade, seja por curiosidade ou desejo reconstruir seu lar.

Certa pergunta paira no ar … Quando isso realmente aconteceu? Quando que a cidade afundou? Pois é. É uma resposta que ninguém sabe ao certo. Não tem uma data. Certos acontecimentos e a instabilidade que cercavam a cidade e seus moradores fizeram muitos abandonarem suas casas. E é a partir dessas perspectivas que vamos montar um quebra-cabeça a respeito dos pensamentos e desconfianças que os antigos moradores sentiam.

Kênia também dá o seu testemunho, afinal ela é uma alto-oestina. Ao passar das páginas, personagens importantes também são apresentados, como Tainara, Thiago, Rebeca e a professora/diretora Érica.

Juntos, essas pessoas vão resgatando as memórias e acontecimentos das suas vidas pessoais, profissionais e as suas visões de como o desastre aconteceu. O livro é um pouco lento por causa das inúmeras narrativas. Se fosse somente a Kênia narrando, seria muito mais dinâmico, pois ela é bem focada. Mas ao mesmo tempo, precisamos de outros narradores para entendermos melhor o que a Kênia está omitindo da gente.

Então com o passar do tempo nós vamos lembrando daquela vez que fulana brigou com a outra pelo motivo que a Kênia não contou pra gente. Portanto, todos alto-oestinos que aparecem são importantes.

Essa história é muito bem elaborada. Nos instiga saber os motivos das pessoas quererem sair da cidade e as suas missões no mundo. O padre que é apresentado no livro tem uma perspectiva totalmente diferente dos outros, a professora Érica já é mais conservadora, enquanto os adolescentes daquela época são mais agitados e propensos a começar uma nova vida.

Vamos acompanhar o início e o termino de inúmeras amizades, a descoberta do amor, o senso de responsabilidade e a morte da juventude.

Tainara foi a personagem que mais me identifiquei. Ela tem a inocência de uma criança e ao mesmo tempo a garra de uma jovem adulta. Ela foi super coerente com os relatos, as angustias e os seus caminhos foram (eu imagino) mais sensatos. Kênia omite muitos o seu passado, isso acabou me desanimando em ler seus capítulos. Thiago tem uma história incrível, sem mais. Érica foi aquela narradora que a gente não dá nada por ela, mas que no final impressiona. E Rebeca não é tão bem explorada como os outros, sua história é sensível e com muita mágoa, mas a autora dá uma cortada nela.

No geral eu adorei os alto-oestinos e como eu falei no skoob, eles são guerreiros. Todos tiveram um peso gigantesco para esse documentário sair. Todos contribuíram como puderam. A autora construiu vínculos tão íntimos e instigantes. E a capa do livro é linda.

Até a próxima!

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