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O livro Complexo de Cinderela foi lançado pela Editora Melhoramentos com a primeira publicação em 1981. Parece romance, mas não é. Parece conto de fadas, mas também não é. Esse livro é, na verdade, um tratamento de choque para todas as mulheres.

A psicóloga e também pesquisadora Colette, assume que sofre do funesto Complexo de Cinderela e a partir daí narra sua vivência pessoal e também de outras mulheres que teve a oportunidade de conhecer através de seus estudos sobre o tema.

Para começo de conversa, o que seria o Complexo de Cinderela? Partindo do pressuposto dos contos de fadas, a Cinderela é aquela donzela que almeja encontrar um príncipe encantado para ser salva de todos os seus problemas. Para enfrentar a madrasta e as irmãs, ela não tem nenhum outro plano que não seja casar-se com um príncipe e abandonar as mazelas que assombram sua vida. A sua salvação não é responsabilidade dela, é exclusiva de um homem.

As mulheres do século XXI também querem ser cinderelas e salvas, ou seja, que alguém seja responsável por sua vida e sua felicidade. A mesma mulher que briga por igualdade salarial, que tem orgulho de trabalhar fora, de estudar, é a mesma que sofre porque quer casar, quer ser dependente. A palavra do momento é empoderamento. Diz-se que as mulheres estão empoderando-se, entretanto as mesmas mulheres que estão gritando nas ruas que querem empoderar-se estão tomadas pelo estigma da dependência.

 “Queremos tão desesperadamente crer que alguém cuidará de nós! Queremos tão desesperadamente crer que não temos de nos responsabilizar por nosso próprio bem-estar”.

No livro Complexo de Cinderela, a autora conta casos de mulheres que têm trabalhos maravilhosos, mas se sentem infelizes por que sua felicidade depende do fato de encontrar o príncipe encantado que irá gerir e guiar a vida dessas mulheres.

“Como cinderela, as mulheres de hoje ainda esperam por algo externo que venha transformar suas vidas”.

O que mais assusta no livro é que por maior que seja o discurso de mulher independente e livre, todas as mulheres que eu conheço sofrem do Complexo de Cinderela. Conheço mulheres lindas, inteligentes, que têm ótimos trabalhos e passam a vida infelizes porque não casaram, não tiveram filhos ou uma casa para cuidar. A felicidade dessas mulheres está intrinsecamente atrelada à outra pessoa.

“Desejamos – intensamente – ser atraentes para os homens: não ameaçadoras, doces, “femininas”.

“Elas parecem ser facilmente influenciáveis, adaptar-se a seus companheiros e compreendê-los. São companheiras adoráveis e não agressivas, e desejam permanecer nesse papel, elas não insistem em ter seus próprios direitos – muito pelo contrário.”

Defendendo o ponto de vista da autora, o objetivo do livro é desmistificar o padrão de que as mulheres só serão felizes se forem dependentes de alguém. Esse “só serão” é que está errado. Em contrapartida as relações humanas precisam sim ser conservadas e incentivadas, todavia não é certo o sofrimento ou anulação da mulher em detrimento de um relacionamento que muitas vezes não é nem amoroso, é meramente uma dependência. Certamente, você já ouviu muitas mulheres afirmando que não estão felizes no relacionamento, mas que não querem ficar sozinhas.

Não é exclusivamente culpa das mulheres, estamos sempre sendo instadas a desejar ser dependente de alguém, seja através da literatura, da educação familiar, por outras mulheres, etc.

O blog homoliteratus traz essa reflexão na literatura (veja link abaixo) em que alguns estereótipos são marcados para definir a mulher como submissa e o que mais assusta é que parte dessa literatura é de mulheres, ou seja, são mulheres reiterando o Complexo de Cinderela para outras mulheres.

Na saga Crepúsculo, temos a Bella Swan que é caracterizada como desastrada, feiosa, insegura e que sua grande redenção se dá com o relacionamento com Edward Cullen. O mesmo estereótipo é apresentado na série Cinquenta Tons de Cinza em que Anastasia Steele chega aos tropeços para encontrar o Grey e apesar da história querer retratar que é talentosa, há momentos que ela abre mão de compromissos profissionais em detrimento do relacionamento com Grey. Como esses, temos vários exemplos na literatura que estão aí incentivando mulheres a buscarem um relacionamento custe o que custar.

Fonte: http://homoliteratus.com/30min-176-estereotipos-femininos/

Eu considero a leitura de Complexo de Cinderela obrigatória para todas as mulheres e até sugiro uma releitura a cada seis meses.

O livro é chocante, assustador e necessário. Gostaria de ter lido há muitos anos, pois apesar de ser difícil assumir ter o complexo de cinderela, essa leitura pode ser transformadora.


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Simone Costa Sousa
Advogada e leitora assídua. Completamente apaixonada por livros.
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