Olá pipoqueiros, turubom?

Confesso que começar essa resenha não é fácil. Esse livro me causou tanta tristeza, uma dor de saber que essas coisas acontecem todos os dias e que as pessoas estão sendo obrigadas a conviver com isso diariamente… Nossa.

Livro Cartas para Martin é lançamento da Editora Intrínseca e quando a editora publicou esse livro, logo fiquei instigada para ler. Além de ter amado a capa, a sinopse me deixou muito interessada. Mas o livro da Nic Stone me supreendeu de várias maneiras.

A história de Justyce – ou Jus – começa com ele ajudando a ex namorada, Melo. A menina está extremamente bêbada e nem consegue entrar no carro. Como Jus está num bairro rico, com uma menina rica bêbada e entrando num carro de luxo, obviamente não tem nada de mais, né? Mas tem, porque infelizmente pro nosso protagonista, ele é negro e o mundo ainda é cheio de racismo.

Jus

Jus é um estudante de uma escola rica. Bolsista, ele percebe que não tem muitos pretos na escola. E também percebe que é um dos poucos que saiu de seu bairro para alguma lugar que não fosse uma prisão.

Jus tem um melhor amigo, também preto e que somos irrevogavelmente apaixonados por ele imediatamente. Manny tem tudo que a gente quer de um melhor amigo: é leal, divertido e super de bem com a vida. Claro que a amizade dos dois não é um paraíso sempre, mas eles tentam.

 

Dr. King

Justyce tem uma meta de vida: “Ser como Martin”, ou seja, agir como Martin Luther King agiria perante às situações. Nesse projeto, ele escreve cartas para Martin, relatando o que viveu e como passou por aquilo, e indiretamente refletindo sobre como Martin agiria.

 

O livro

Logo no começo do livro, Jus passa por uma situação de completo racismo. É indignante e surreal, de revirar o estômago. A obra vai se passando com debates na sala de aula e com alguns amigos, e o pensamento de alguns desses alunos realmente é de irritar. Não sei como passei um livro inteiro sem socar a cara de um personagem. A vontade de bater no Jared é IMENSA.

Temos mais uma personagem maravilhosa, que já vimos antes, em Com amor, Creekwood, da Beck – também lançado pela Editora Intrínseca. A SJ é a menina mais sensata do livro, super politizada e com a mente aberta. E claro, caidinha pelo nosso Jus.

Bom, esse livro tem vários acontecimentos marcantes, e eu não vou falar deles para não cair em spoiler. O que preciso falar é que você vai chorar. Ou se morder de raiva. Talvez os dois. A obra é para incomodar. Em alguns momentos me incomodou a forma como a mulher é vista, como Jus é visto, como pretos são vistos, inclusive por eles. A baixa autoestima, a falta de carinho, a falta de oportunidade e o descaso social é de sofrer junto.

Pesquisa e imersão social

Além disso achei super interessante a forma como a autora abordou a perfilagem étnica, o fato de alguns atributos físicos nos remetem à um perfil social. O exemplo dado é que a tendência ao ver um preto na rua é achar que ele é bandido. E infelizmente, o mundo é assim.

Olha, sem me estender ainda mais, o livro é incrível. Embora com algumas coisas que me incomdaram pra caramba, acho que a autora fez isso de propósito, exatamente para atingir todo mundo com esse soco no estômago. As ações de Jus, a dor dele, a reação policial e da sociedade perante o preto, que sai ou não da periferia… Tudo isso é tão intenso que quando você termina o livro, precisa até respirar.

Com personagens marcantes, para o bem ou para o mal, o livro entrega exatamente o que propõe, uma análise do preconceito com os olhos de um jovem preto. Mais um livro favoritado no ano e mais um acerto fenomenal da editora. A representatividade importa sim e vamos sempre colocar à tona os temas que precisam ser revistos. Afinal, vidas negras importam, sim.

Espero que gostem da leitura e nos vemos em breve.

 

 

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10 Comments

  • Letícia Guedes, out 28, 2020 @ 11:34 Reply

    Oioi! Temáticas como essa, quando bem trabalhadas, costumam mesmo ser um soco no estômago. Estou com outro livro nessa temática para ler (não me recordo o nome agora) e estou adiando justamente porque sei que lá vem kkkkk vou anotar esse também. Se já vou levar um soco, por que não dois, não é mesmo? Huahauahau. Abs!

  • Erika Monteiro, out 26, 2020 @ 14:03 Reply

    Oi Denise, tudo bem? Não soube do lançamento desse livro mas achei a proposta da autora bem interessante principalmente por trazer esse tema tão atual e triste ao mesmo tempo. Desde criança sempre tive muitos amigos negros mas nunca presenciei uma situação de preconceito talvez por isso seja difícil para eu imaginar alguém agir dessa forma. Minhas melhores amigas são negras mas nunca tive “coragem” de abordar esse assunto com elas. Fiquei curiosa em ler o livro. Um abraço, Érika =^.^=

  • Camille Pezzino, out 26, 2020 @ 09:56 Reply

    Oi, De!
    Essa é uma leitura que parece tão necessária! E, mulher, não sabia que era da mesma autora de Com amor, Simon. Achei que era de outra pessoa. Gostei muito da proposta e de trabalhar o King, até porque ele é um ícone do que a gente diz e conhece de luta racial.
    Adorei! <,3

  • RENATA CRISTINA SILVA AVILA, out 26, 2020 @ 00:30 Reply

    Denise eu achei essa leitura, muitoooooooo dificil.
    Achei bem densa pra mim e constantemente tive que parar para absorver tudo que li.
    tinha achado que foi so comigo mas vi que pra voce tambem foi bem densa.
    o assunto mexe demais comigo mesmo

  • Debora Sapphire, out 25, 2020 @ 21:53 Reply

    Realmente essa não é uma leitura fácil! Justamente, por ser a triste e dolorosa realidade vivida por muitas pessoas que são obrigadas a conviver com isso todos os dias. Enfim, achei ótimo conferir as suas considerações sobre essa obra através do seu ponto de vista e do que você sentiu nessa experiência literária.

  • Lilian Farias, out 25, 2020 @ 20:15 Reply

    Este ano li um livro assim, que tanto me impactou que ainda não consegui fazer a resenha, fiquei mais de dois meses sem ler nada. Gostei da ideia de a autora trazer os padrões sociais, quero ter a oportunidade de ler.

  • Ana Claudia Soriano de Angelo, out 25, 2020 @ 20:06 Reply

    Oi, Denise! Tudo bem?
    Sabe que quase li esse livro na Spring Read? Menina, não li porque sei que não daria tempo de comprar e chegar em tempo. Não queria pelo Kindle, então acabei largando essa possibilidade. Que história marcante e atual. Vou pôr na minha wishlist.
    Seu trabalho de divulgação está perfeita e instigante! Parabéns! Bjs

  • Leticia Rodrigues, out 25, 2020 @ 13:38 Reply

    eu adquiri o ebook esses dias porque né? ansiedade em ler kkk, ainda não deu tempo mas nossa esse livro está nos desejados desde o anúncio de lançamento. eu gosto de livros assim, com maior representatividade das minorias.

  • Joyce, out 25, 2020 @ 09:24 Reply

    Olá, tem horas que dá vontade de socar a cara de um personagem mesmo. Principalmente num assunto como esse o qual se trata o livro, vou coloca_lo já na minha lista, bjs.

  • Hanna Carolina, out 24, 2020 @ 14:24 Reply

    Nossa, não conhecia esse livro, mas lendo sua resenha, na hora me lembrei de notícias que saíram seguidas no jornal sobre casos de racismo ao redor do mundo e já fiquei bem mexida. Apesar de “estar do outro lado da moeda”, eu só posso imaginar como é, mas pela leitura, seria mais profunda a sensação e não sei como reagiria.
    Bjks!
    Mundinho da Hanna
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