Salve salve, pipoqueiros!

Neil Gaiman tem um espaço reservado no meu coração e não podia deixar essa linda edição publicada pela nossa editora parceira, a Dona Intrínseca, de lado. Coraline já é considerado um clássico contemporâneo Infantojuvenil por inúmeras pessoas, onde observamos uma simples menina sendo mais corajosa do que muitos adultos.

Essa é a edição comemorativa de 10 anos, publicada lá fora em 2012, e nela há um prefácio do próprio autor falando um pouco mais sobre as inspirações e sobre o processo de escrita. É muito interessante esse contato que o Gaiman faz porque podemos entrar um pouquinho na cabeça e na vida pessoal dele, já que o livro foi escrito para suas filhas.

Coraline é uma menina muito esperta. Exploradora, divertida e muito birrenta. Normal para a idade. Não lembro exatamente de mencionarem a idade dela, mas imagino que ela deva ter seus doze anos.
Ela se muda com os pais para uma espécie de casarão que fora reformado e agora é divido em vários apartamentos. Pela descrição, ele não foi totalmente repaginado, só fecharam algumas portas com cimento para não terem acesso aos outros apartamentos.

Como eu disse antes, Coraline é quase uma Dora a Aventureira. Adora explorar e fuxicar as coisas. Fez amizade com as vizinhas de baixo, a Srta. Spink e a Srta. Forcible, que adoram relembrar o tempo em que eram atrizes. A casa delas é cheia de cachorros e vivem chamando a Coraline de Caroline (Isso é muito irritante). O vizinho de cima é o Sr. Bobo, mais conhecido por Velho Doido. Ele vive dizendo que está montando uma trupe de ratos de circo, domesticando-os para enfim formar sua bandinha de ratos. Apesar de ele falar tanto dos bichinhos, nenhum rato foi visto por Coraline.

Os pais de Coraline trabalham de casa. O que seria o sonho de muitas crianças em ter os pais presentes para poder brincar, não acontece com ela. Os pais são super atarefados com prazos de entrega de vários documentos e acabam deixando a filha de lado. É de deixar o coração de muitas crianças partidos e de Coraline também.

No apartamento deles tem um cômodo com vários móveis que foram herdados e por enquanto estão sem utilidades. Chama a atenção de Coraline ao ver uma porta. Quando questiona a entrada secreta à mãe, a menina leva uma resposta negativa “Leva a Lugar nenhum” (talvez uma referência ao livro de mesmo nome do Gaiman?). Até que uma noite ela acorda e vê uma sombra estranha. Achando isso fora do comum, nossa protagonista sai da cama para investigar, o que a leva para a tal porta.

No dia seguinte encontra a chave dessa porta e finalmente a abre. Depois disso, Coraline vai entrar tipo em um universo paralelo criado por uma criatura que se autointitula “A outra mãe”. Lá ela encontra a mesma casa, os mesmos vizinhos e a mesma família, só com um detalhe bizarro: Botões no lugar de olhos. Coraline precisar correr para se livrar as garras dessa família e voltar para seu verdadeiro lar.

Eu nunca tinha lido esse livro. Talvez por receio já que eu não leio muito Infantojuvenil. E eu amo a escrita do Neil Gaiman, por conta disso, tomei coragem e solicitei. Meu livro favorito é o Lugar Nenhum justamente por ele deixar tudo tão visual a ponto de conseguirmos viver a história com os personagens. E assim foi com esse livro também.

A personagem é muito mimada e as vezes me tirou do sério, mas entendo que é a personificação de uma criança. Nada contra. Mas o que mais me empolgou foi acompanhar a determinação e a garra dela. Coraline é absurdamente feroz. Não se abala com toda a reviravolta que a outra mãe faz, por mais que em pensamento ela esteja apavorada. Esse livro é perfeito para crianças que talvez tenham medo ou frustação de determinada situação para usar de exemplo a coragem da menina. Uma protagonista feminina que não hesita em salvar sua família. Há também elementos sobrenaturais, como os” outros pais” e o gato que fala, que dá todo o sentido levando em conta que o autor aborda muito esses temas fantasiosos. Algumas cenas chegam a ser grotescas e arrepiantes.

Indico demais essa fantasia e essa edição lindíssima.

Até a próxima

 

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