Olá você, pipoqueiro. Tudo bem?

Cheguei para falar de um livro sensacional e incrível, com aquele plot twist que a gente ama e com uma trama bem feita. Eu ainda não conhecia o trabalho da autora Claudia Lemes e fui presenteada com essa surpresa. A nossa editora parceira Avec nos convidou para essa leitura e topamos de cara. O livro A segunda morte de Suellen Rocha é um thriller de ação e suspense, com muito sofrimento e alguns gatilhos. Fique atento ao que achamos da história.

O livro conta a história de quatro amigas, Suellen, Cacau, Mariana e Dafne. Elas são inseparáveis e se chama de flores. Cada uma com uma personalidade, as amigas decidem fazer uma tatuagem de flor no quadril. A história começa a dar errado a partir dai. Nessa ida ao tatuador, o que era pra ser uma lembrança feliz de uma amizade eterna se torna na primeira morte da Suellen e tudo vai por água abaixo, quase literalmente.

Numa cidade pequena, tudo que resta anos depois é a lembrança do que foi uma amizade, um crime escondido e um cara que não supera o amor de adolescência. Preciso dizer que o Reno é tudo pra mim.

Reno é apaixonado por Mariana e acabou ficando sem saber o que aconteceu porque depois de um namoro maravilhoso, a menina sumiu, foi pros EUA e casou com um delegado babaca. Com dois filhos e longe de Reno, Mariana é a típica mulher que se pune sofrendo com um cara abusivo e controlador. O delegado Gustavo além de IDIOTA, bate nela e a destrata o tempo inteiro. Já falei que ele é um IDIOTA?

Quando Suellen tem sua segunda morte, depois de se excluir da sociedade, as meninas vão acabar se reunindo novamente, tentando descobrir se a culpa veio encontra-las ou se tudo é apenas coincidência.

Com uma trama paralela de política, igreja, drogas e prostituição, o livro te mantem preso até o último segundo, querendo saber o que tá havendo e como as coisas chegaram nesse nível. Também interessante o ponto de vista cru e realista das partes escuras da política e das igrejas no livro. Não parece tão diferente assim da nossa realidade, mas ler assim, tão bruto, foi um soco no estômago.

A Claudia Lemes é uma autora que quero levar pra minha vida. Se ela quiser me mandar a lista de compras dela, eu leio e guardo numa pastinha pra sempre. A mulher tem um talento fora de série.

Diferente das tramas super detalhadas que para você saber que a grama é verde o autor te diz até o tom RGB do verde, a Claudia me fez enxergar o jeito como as pessoas fazem as coisas com poucas falas. Se o personagem colocava um copo no balcão, eu conseguia visualizar o que ele tava fazendo, sem sofrimento. Eu sabia como eram os nós dos dedos do Reno, sabia como era o sofá do puteiro e sabia exatamente como a Suellen sofreu. Isso foi incrível na leitura. Porque longe de ser cansativa, ela me trouxe detalhes que me colocaram dentro do livro, vendo como alguém vagando nas cenas.

Outra coisa que achei ótimo foi a criação dos personagens, de um jeito que nos fazia odiar cada um. Essa construção de ranço foi essencial pro clímax do livro. A cada momento um personagem fazia algo odioso ou era o Gustavo. (risos) Com isso, a leitura fluiu com aquele frio na barriga, aquele ódio instalado. Talvez por isso, é o tipo de livro que a gente torce pelas mocinhas, nem tão mocinhas assim.

Eu achei que fazia alguma ideia do que estava acontecendo, mas no fim foi uma surpresa porque as tramas foram bem desenhadas e o final é surreal. É um livro que você não pode piscar, porque tem MUITA informação rolando, até porque tem DUAS tramas interligadas, totalmente independentes e ao mesmo tempo, centrais para o desfecho. O livro conta ainda com personagens bem estruturados, que você ama e a autora vai lá e te faz acordar pra vida.

O final do livro não é bem aqueles felizes e maravilhosos que a gente tá acostumado, mas é incrível. Narrado quase sempre pela visão do Reno e da Mariana, o livro uma fluidez boa porque é dinâmico e completamente visual, como eu comentei ai em cima.

Não recomendo ler o livro almoçando, como eu fiz, porque eu decidi que estava tudo bem ler sobre uma cena do livro enquanto comia e minha nossa senhora do estômago.

Não recomento querer ler devagar, porque eu estava as duas da manhã olhando pro teto sem saber o que restou de mim.

No fim, quando eu achei que só ia ler mais um livro nacional, acabei ganhando mais uma autora preferida pra minha vida. Claudia é uma autora muito boa e não vejo a hora de ler as outras obras dela. O livro é uma ficção de como nossas culpas nos consomem ao longo da vida, mesmo que não sejamos punidos por nossos erros. Acaba que nós mesmos nos punimos, seja nos privando de algo ou de alguém, seja apenas ao viver escondendo quem realmente somos. Claudia, conte comigo pra tudo.

Uma ótima leitura e indico a todos. Quem ler, me conta o que achou.

E lembrando que dia 22/04/2020 temos uma entrevista com a autora no perfil da Avec instagram, esperamos todos por lá.

Até breve.

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