Olá pipoqueiros, turubooom? Vamos falar de livro bom?

O Eloáh a gente já conhece do livro Para onde vão os suicidas, que já resenhamos aqui e, provavelmente é o personagem mais bonito e confuso do Felipe Saraiça. Quando o Felipe contou que estava fazendo um livro sobre ele, eu fiquei muito feliz e ansiosa porque realmente é um personagem ótimo.
O engraçado é que em Descolorindo Eloáh, acho que foi o personagem que menos abracei, mesmo. Eu sou completamente apaixonada no Luis e foi surreal.

O livro é mais uma obra incrível da editora parceira Pendragon, que sempre ARRASA, tanto nas capas quanto na diagramação e nos autores que eles tem.

Vamos falar do livro… O Eloáh é filho de uma mulher fraca e submissa, que faz as vontades do marido e se anula completamente, inclusive diante do filho. Ela, antes uma artista super cheia de luz, agora é uma mulher amarga. O pai dele é um babaca, pra não baixar o nível aqui e xingar o cara. Haha Ele é um pastor, totalmente aquele tipo de “família tradicional” e que bate, humilha e trai a esposa e filho. Um completo idiota.
Eloáh sofre bullying, apanha em casa e ainda por cima, é obrigado e fazer uma terapia com uma psicóloga que só Deus. A mulher acha que tem a cura para ele, como se ele estivesse doente. Em um momento, ela acaba passando de todos os limites aceitáveis e isso parece acordar a mãe dele. FINALMENTE.

Eloáh não se reconhece no espelho e fica completamente apagado, a ponto de pensar em tirar sua vida, pois não se aceita, não se reconhece e ninguém mais o faz. Ele acaba fazendo amizade com o Luis, o vizinho viúvo mais fofo do universo e com Sam, o gay negro bolsista do colégio. Sam também é incrível.

O que eu amei no livro é que em vários momentos o Eloáh percebe que comete os mesmos preconceitos com as pessoas. Ele fica tão bravo de ser excluído, mas mesmo sem notar, acaba excluindo pessoas também. Dá uma baita sensação de consciência moral, sabe? Aqueles comentários que a gente faz e que nem percebe que é bem idiota, essas coisas. Muito bacana a forma que o Felipe abordou isso.

Durante o livro, com presença musical bem forte, Eloáh se prepara para um festival de música enquanto sofre ataques no colégio, até pelos professores. Só que uma professora nova parece ser uma luz no fim do túnel, porque ela não o julga e o ajuda em alguns momentos. Além disso, é o último ano dele. Está quase no fim o sofrimento.

Sobre os personagens, impressionante, mas eu praticamente não consegui me afeiçoar a ninguém, exceto Luis. Parece que me bloqueou totalmente. Mas são personagens tão fortes ou odiosos que eu acho que entendo. Parecia errado gostar ou odiar alguém, num contexto tão preconceituoso.

O que senti falta foi uma mulher de pulso firme, de atitude… Parece que toda mulher que aparece é fraca ou  babaca. E também temos poucas mulheres, sendo a mais incrível a professora que ajuda Eloáh.
Sobre as batalhas de gênero e classe, isso fica bem claro também. Como sofre quem não se encaixa nesse padrão ridículo que a gente criou. Como sofre e como isso se perpetua mesmo em ambientes que deveriam ser seguros, como colégios.

Embora tenha um final feliz, a sensação que eu tive quando terminei o livro foi de que um rolo compressor passou em cima de mim. Um livro muito intenso e muito forte, que eu demorei dias para ler porque era tão intenso que eu precisava respirar um pouco. Ao mesmo tempo que eu queria saber o final, parecia que se acabasse não ia sobrar mais nada dentro de mim. E eu chorei, minha nossa. Eu mandei mensagem pro Felipe e disse que ele não podia fazer aquilo com as pessoas. Isso é irreal.

Então, como sempre falo de livros do Felipe, leiam. Ele tem um dom que deveria ser exposto em todo lugar do mundo, as pessoas precisam conhecer o Felipe e seus livros. Sério.
Descolorindo Eloáh é um livro necessário no ponto de vista social e moral. A gente precisa quebrar essas regras que nos engessam e nos fazem magoar as pessoas. Estamos matando nossos jovens todos os dias, apenas com preconceito.

Às vezes, a gente acha que tirando todas as cores de uma pessoa, estamos ajudando, transformando-a em alguém aceitável perante o mundo, mas no fim, você só apaga alguém, a torna menos que nada. Que livro, amigos, que livro.

Obrigada por mais uma obra, Felipe. Pode mandar mais.
E se você precisa conversar e tá se sentindo pra baixo, o Pipoca Nerd está sempre aqui para você. Jamais se abandone. Viva suas cores.

Até breve.

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