Olá pipoqueiros, como estão?

Vamos falar de drama? Vocês já sabem que a gente adora um bom sofrimento, então não poderia ser diferente. Recebemos esse livro do autor Frederico Feitoza, nosso parceiro com a Chiado Books.

O livro conta a história de Floriano, um jovem tímido, viciado em shoppings e em jogar videogame. Não muito diferente da juventude de hoje em dia, né? O Floriano já passou por algum tipo de tratamento psicológico e isso fica claro no livro, mas sem dizer ao certo o que ele tem. Eu desconfio que Floriano seja autista, mas vamos deixar isso para cada leitor.

O Floriano tem alguns amigos, mesmo que poucos. Só que eles sofrem tanto bullying no colégio que o livro chega a ser dolorido. Fico pensando que na minha adolescência a gente achava isso divertido. Dai vem a sociedade e mostra o resultado disso, né?

O livro tem muitos gatilhos, então fica o alerta. A obra fala de suicídio, sobre os traumas criados na mente do jovem a partir desse bullying e de diferenças sociais extremas.

No início a gente acha que é um livro divertido, até porque a linguagem nele é bem simples e natural. Aos poucos a gente vê que tem uma crítica sobre essa sociedade e de forma em crua, parecendo que vem de dentro.

A adolescência é retratada muitas vezes na literatura, mas normalmente tem um caráter tão imaginativo que ver essa obra, de forma bem intensa, parecendo que foi escrita durante os acontecimentos, é um encanto.

Além de descrever bastante o meio do bullying, o livro mostra de forma clara o ambiente escolar juvenil. Ele tenta retratar fielmente cada comentário maldoso e cada apelido idiota e como isso afeta a mente de cada aluno.

Ao longo da narrativa, a divisão de classe média e periferia também é abordada com sucesso. Os contrastes e comportamento entre duas sociedades tão opostas é relatado com louvor. O Floriano tem respostas à essas maldades e xingamentos de maneira dolorida e que você quer apenas abraçar o personagem. Enquanto a gente acha que isso é inofensivo, no fundo o jovem sofre e às vezes nem sabe colocar isso para fora.

Essa transição de local narrado no livro é baseada em uns desafios que os jovens fazem entre si. O cenário de periferia e de shopping center, ilustrando pobre e rico, é o ponto alto desse livro. Além das reações do personagem que é extremamente repetitivo nos seus trejeitos.

Além disso, é um livro extremamente atual, porque mostra a convivência social entre jovens nesse momento de mídias e internet. É de fato uma fase complicada. Se na minha época sem internet já era um sacrifício, imagina hoje em dia que você não pode dar um suspiro que todo mundo sabe?

Eu poderia passar horas falando dessa obra e enaltecendo o autor. Pelo que entendi depois, a obra foi baseada em casos reais de suicídio em um shopping de Brasília e isso faz todo o sentido depois. É quando a gente entende a proximidade do autor com os temas dispostos.

Enquanto drama, o livro até é bem humorado na superfície. O rolê todo aparece mais no subconsciente. É quando a gente entende cada dor ali.

ps. AMO A MABEL.

Adoramos o livro e a oportunidade. Que possamos realmente aprender com o diferente e entender que ser diferente também é normal. Bora ensinar pra essa nova geração que o bullying fica pra sempre na memória e que nem sempre de uma maneira boa e saudosista.

Até breve e fiquem em casa.

 

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