Olá pipoqueiros, turubom?

A nossa parceria Editora Intrínseca enviou o livro O Refúgio pra gente e eu estava super ansiosa por essa leitura. Se eu curti? Ainda não sei bem… O livro é o primeiro do autor Mick Kitson, que mostrou que tem dom, mas poderia ser melhor.

O livro

A história de Sal e Peppa é intensa. Sal tem treze anos e teve que assumir a responsabilidade de cuidar da irmã de dez. A mãe tá sempre bêbada e o companheiro dela é um babaca. Quando Sal se desdobra pra dar algo de comer pra irmã, pra controlar o idiota que abusa dela e ainda remoi o fato do cara ameaçar começar os abusos na Peppa também, parece que fica muito. Dai, ela decide planejar matar Robert e fugir.

A história

Eu confesso que eu esperava gostar mais do livro. A gente começa a ler achando que vai ser o tipo de livro que te destroi, mas no final nem é tanto assim. A Sal é uma criança muito madura e, na minha visão tem algum tipo de síndrome, como Asperger. O detalhamento das situações e a forma como ela aprende e fixa as informações é totalmente incomum.

O livro começa com as irmãs fugindo e ao mesmo tempo contando o que tinha acontecido. Tem uma fluidez boa, mesmo que seja extremamente detalhado (não sei quantos sachês de açúcar do McDonald’s elas usam). O uso de personagens secundários é bom, mas não tão bem explorado. Temos personagens incríveis, como o Ian e a Ingrid, mas tem tão pouco deles… A Ingrid a gente ainda conhece a história dela por conta de tudo que ela contou pras meninas, mas a sensação é de ser um livro à parte.

Personagens

Ingrid é uma médica refugiada da Alemanha, que já foi hippie e ficou sozinha na vida. A história dela é incrível, mas sabe quando parece que a personagem tá tomando conta do livro e dai você vem e tira pra voltar ao que era antes? Bem isso.

Sal é complicada, com medos e surtos. Totalmente compreensível. Com o que as meninas vivem, é de se espantar que o assunto do abuso e do assassinato não sejam mais trabalhados. Uma criança de 13 anos que mata o padrastro e é capaz de caçar para sobreviver na floresta? Eu queria mais, Mick.

O que achei

Eu adorei o livro, de verdade. Achei gostoso de ler, fluido, mesmo tão detalhado. Você se pega odiando o Robert, odiando a mãe das meninas, odiando o nazismo. Ao mesmo tempo, odiei não ter mais sentimento, mais dor, mais ajuda. A sensação de impotência porque nada ajuda essas crianças, meu deus. Eu odeio abusadores.

Eu amei a forma como ela aprende e como eu aprendi tanta coisa… mesmo que jamais tenha coragem de matar um coelho e arrancar a pele. haha

No fim, eu indico o livro, mesmo que falte algo. É um bom livro, é cheio de histórias bacanas, como movimentos hippies e a Peppa é um amorzinho. A diagramação é ótima e a capa é simples e direta. A Editora entrega exatamente o que promete, mais uma vez.

E você?

Já leu? Me conta o que achou.

 

 

E por favor, se você é vítima de abuso ou conhece alguma criança que seja, procure ajuda. Aqui tem um texto interessante que pode ajudar. Para denúncias e ajuda, DISQUE 100.

 

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