Para a resenha desse livro, não sei se consigo dar um oi, pipoqueiros. O livro me devastou tanto, que não sei nem como falar sobre ele.

Para abrir meu coração, em setembro de 2011 eu tentei o suicídio. Era dia 7, para ser mais exata. Eu pensei que um feriado seria um dia bom para morrer. Olhei para a janela do meu apartamento no sexto andar e imaginei o que faria. Quando olhei pro chão, lá embaixo, desisti e fui comprar veneno. Obviamente para quem está lendo, as coisas não deram muito certo e hoje em dia eu lembro e falo disso com uma certa dor, mas com a certeza de que venci uma etapa da minha vida.

Foi um começo de resenha bem intenso? Foi. Mas o livro ‘Por Lugares Incríveis’ também é. Esse livro foi um presente da nossa editora parceira Companhia das Letras, que o enviou com um pôster LINDO e dois pacotes de lenços. Quando esse pacote chegou eu já sabia que ia chorar LITROS. E não foi diferente.

A história de Finch começa bem parecida com a minha. Ele tá olhando pra baixo, imaginando o estrago que ele faria, como as pessoas reagiriam e se, por fim, calaria a voz na mente dele de que o fim é o melhor caminho. Finch está na torre da escola quando a Violet aparece, com o mesmo objetivo dele, cansada da tristeza da sua alma.

Acaba que Finch salva a vida de Violet, mas ele sendo a aberração da escola, mente dizendo que ela o salvou. Ela é popular e, até 9 meses atrás sua vida era incrível. No inverno, ela e a irmã voltavam de uma festa e perderam o controle do carro. A irmã morreu na hora e parte da Violet morreu junto com ela.

Finch é um cara bonitão, com alguns amigos, uma família super estanha e um carisma fora do comum. Ele era melhor amigo do popular da escola, mas contou pra ele sobre as coisas que se passam na sua cabeça e o cara surtou e acabou o chamando de aberração para todo mundo. Como todo bullying horrível, esse pegou e a escola inteira acaba tratando o Finch da mesma forma.

Pra piorar, o pai dele também abandonou a família e decidiu viver com outra pessoa, deixando sua casa um caos, sua mãe deprimida e Finch com um pouco de raiva.

Violet tem pais amorosos e super protetores, já que a irmã morreu, os pais acabam ficando neuróticos sobre onde ela está e com quem. Achei isso natural, embora tenha sentido falta de um pouco mais dos pais dela. Eu amo personagens assim.

Finch se torna a sombra de Violet, obcecado em fazer dupla em um projeto de conhecer lugares onde eles moram. Ele quer conhece-la e aos poucos, já mostra que está completamente apaixonado. Ele é insistente e acaba conseguindo. Como Violet está muito deprimida também, ela não está tão próxima dos amigos, largou o namorado e não tá muito no clima de festas. Assim, o envolvimento deles não é grande surpresa e acontece naturalmente.

Eles começam um rolê pela cidade, buscando pontos históricos ou conhecidos e relevantes. A ideia é ir, pegar algo do lugar e deixar algo no lugar. Aos poucos Finch convence Violet de voltar a entrar num carro, voltar a escrever e voltar a viver. Essa troca é linda demais. Mas parece que quanto mais bem ele faz a ela, mais no escuro ele fica.

Finch tem um transtorno que o deixa deprimido e, mesmo que o livro faça um suspense sobre isso, fica claro toda vez que ele muda de humor e de roupa. Ele vai apagando ao longo das páginas e a tristeza acho que tá ai. Pra mim, esse desmoronamento dele foi muito pior do que o final, porque eu fui vendo um personagem incrível indo embora aos poucos.

O que me impressionou também na construção do personagem é a negação dele de que algo está errado. Ele acha que esses apagões que ele tem é algo defeituoso nele, como se tivesse a culpa por ser assim. Dai, mesmo sofrendo, ele ainda sofre mais por tentar achar um jeito de se manter “acordado” e de calar o excesso de informação da mente dele. Mesmo que o orientador dele tente ajuda-lo e tente direcionar um “diagnóstico”, o Finch se nega a ver e procurar ajuda. Talvez, se ele conseguisse essa ajuda, o sofrimento seria menor.

A Violet é tão bonita que eu fiquei encantada. A personagem é toda cheia de dor e ao mesmo tempo super capaz de amar e se doar. Ela tem uns amigos idiotas e mesmo assim continua, dia após dia. Achei incrível. O projeto dela com a revista digital, o fascínio com a escrita e o jeito como ela quis incluir todos com ela, achei muito legal também.

O Finch é dolorido. Ele passa por uns momentos em que senti a confusão na mente e o desespero pela sanidade. Realmente é um personagem complexo e o fim foi se construindo aos poucos.

Sobre o desenrolar do livro: eu passei o livro com aquele embrulho no estômago, sabendo que ia acontecer algo. Sabe quando a gente vai subindo uma montanha russa e tudo vai se esfriando na barriga porque a gente já sabe o que vai rolar? Foi assim com esse livro. Eu tentei de verdade não me envolver, mas parece que Finch e Violet ficaram marcados para sempre em mim.

O livro é cheio de gatilhos e emoção. Não recomendo para quem está numa bad. Mas a mensagem de amor e de busca pela cura é sensacional.

Eu até queria contar mais do livro, mas seria muito spoiler numa resenha só. O que eu amei também foi a escolha dele dos lugares que eles visitaram e como cada um tinha um motivo especial e um carinho especial. Amei uns personagens secundários e como algumas informações foram colocadas bem de leve ali, despretensioso, como o caso do pai dele, a genética dele do mesmo transtorno. E também a irmã caçula dele, que provavelmente tem a mesma coisa.

No fim, a gente sente um pouco de raiva do Finch. Mas é natural. Acho que sentimos sempre raiva do que não entendemos e não superamos. No fim, senti raiva de todos e principalmente da mãe dele. Acho que foi unânime. Haha

Um outra coisa que eu amei nesse livro foi o nível de conhecimento, em vários momentos a autora inclui trechos de outros livros, citações, quotes e informações sobre coisas aleatórias da vida. O jeito como ela intercala isso na história é maravilhoso e mostra um domínio de contexto espetacular.

Para finalizar quero dizer que se você tá num momento ruim ou se acha que seus altos e baixos estão atrapalhando sua vida, procure ajuda. Procura um amigo, um profissional ou alguém que te ame. Você nunca está só. Se precisar desabafar, estou aqui. Acredite, eu já estive ai, nesse ponto escuro onde você olha pra baixo e imagina a distância da queda. Mas o importante agora é olhar pra cima e ver que ao menos agora, temos um motivo para sorrir. Um dia de cada vez e um sorriso por vez. Como o encontro do livro, Vida é vida, eu deixo pra vocês que pra mim, LIVRO É VIDA.

Desculpem a resenha destruidora, mas eu até tentei ser bonitinha. Eu terminei o livro as 3 da manhã, sufocando a boca pra não soluçar alto e imaginando como ia ser minha vida pós Finch e Violet. Hoje, já superada, coloquei os dois num potinho de amor e luz. Façam o mesmo com as coisas que apagam seu sorriso e nos vemos em breve.

Agora vou aproveitar e ver o filme, porque aparentemente eu gosto de sofrer. Haha falo em breve sobre ele com vocês.

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