Salve salve, pipoqueiros!

Eu fiquei de olho nesse livro logo quando saiu na caixinha da TAG Livros. Alguns meses depois, a Editora Paralela publicou em suas redes socias com a data de lançamento e alguns dias depois disponibilizou para os parceiros a versão em e-book. Não pensei duas vezes: Solicitei e comecei a lê-lo.

Já começo com o seguinte aviso: Herdeiras do Mar não é um livro fácil de se ler. É uma história muito impactante sobre como que os desdobramentos da guerra afetaram diversas famílias, mulheres e tradições – nesse caso foi na Coreia. Quando eu digo que o livro não é fácil, entenda que eu falo do enredo que envolve estupro, violência contra a mulher e sérios danos físicos e psicológicos, pois a narrativa é extremamente visual. Precisei moderar a leitura com outra história mais leve, para não ficar imersa somente na Herdeiras.

A história é dividida por duas narradoras, Hana e Emi, que são irmãs. Hana narra sua trágica trajetória quando está com dezesseis anos em 1943 e Emi em 2011, quando já é uma senhora de idade. Os capítulos são sempre intercalados.

Em 1943, Hana é raptada por um soldado japonês e é levada para Manchúria, sendo obrigada a ser uma mulher de consolo e a servir os militares. Hana, igual a mãe, era uma haenyeo, uma mulher do mar, que é considerada uma profissão mais independente, pois elas têm contato direto com os clientes para venderem as suas mercadorias. Uma regra que a mãe de Hana sempre enfatizava era: Não fique sozinha com soldados japoneses. Para que ela não confiasse em nenhuma palavra que eles dissessem, por mais que fossem a autoridade local.
As meninas nasceram nesse regime controlado pelo Japão e sua mãe as ensinou coreano e todos os costumes ligados à sua nacionalidade. Era regra falar japonês, mas dentro de casa elas tinham essa liberdade de se comunicar pela língua nativa. Em vários trechos observamos Hana se orgulhar de ser coreana.

Em um determinado dia, Hana observa de longe um combatente se aproximar de sua irmã mais nova e não hesita em correr para protege-la. Nesse fatídico dia, Hana é presa e forçada a viajar para lugares que ela nunca tinha visto.

Em 2011, Emi já está com seus 77 anos e ainda segue as tradições deixadas pela família. Continua vivendo na Ilha de Jeju e trabalhando como uma mulher do mar. Ela se casou e teve dois filhos. Emi convive com a culpa de ter deixado a irmã mais velha ser levada pelo soldado e tem pesadelos e flashback bem conturbados.

Essa história por mais que seja ficção, foi o pesadelo de muitas mulheres coreanas. Algumas tiveram a sorte de sobreviver, mas por outro lado, muitas famílias ainda estão sem saber do paradeiro dos corpos de suas meninas. É o livro mais pesado que eu li esse ano, com muitas cenas que, infelizmente, ainda não saíram da minha cabeça por serem reais demais. É um livro 5/5 pela escrita impecável da autora e por nos trazer todo o contexto histórico vivido na época. Com personagens femininas fortes e determinadas a sempre ultrapassar as expectativas que lhe são atribuídas.

Ainda somos contempladas pelas notas da autora no final do livro. Ela conta como foi o processo de escrita desse livro, que é o seu primeiro romance, e põem todos os acontecimentos históricos em ordem e suas respectivas datas para que a gente possa se situar nas passagens de tempo.

Até a próxima!

 

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