Salve salve, pipoqueiros!

Hoje trouxemos um livro de extrema importância para a história brasileira: a história do hospital psiquiátrico de Barbacena – MG. A nossa editora parceira, a dona intrínseca, nos enviou o livro da Daniela Arbex (nosso segundo já resenhado dela) e foi uma porrada no estômago saber da real face do que foi esse período vivido por milhares de pessoas.

Eu já conhecia por alto a história desse hospital, mas nem nos meus sonhos mais perturbadores eu imaginaria uma barbaridade do que realmente foi esse cenário.

Fundado em 1903, o Colônia – como era conhecido na época – foi um hospital psiquiátrico muito famoso em Barbacena, MG. Não digo famoso de ser referência, longe disso! Mas famoso no sentido de ser o destino certo para pessoas consideradas fora do padrão que a sociedade naquela época desejava. Ele era conhecido inclusive fora do estado de Minas.

Eu considerei logo de cara uma prisão, e não um hospital. As pessoas eram “internadas” a força nesse lugar e eram super mal tratadas. Um tratamento desumano e milhares delas morriam lá mesmo, sem uma cerimônia de despedida digna de um ser humano. Foram aproximadamente 60 mil pessoas mortas, por isso foi considerado por muitos o Holocausto Brasileiro.

A jornalista Daniela Arbex faz muitos recortes sobre o ocorrido. Muitos deles foram com pessoas que vivem nesse lugar, outras que trabalharam lá e de pessoas que viram o ocorrido e correram para denunciar. O livro é basicamente relatos sobre o horror e os recomeços dessas pessoas que sobreviveram.

Uma das histórias que mexeu comigo foi o da Dona Geralda e do seu filho João Bosco. Ela foi mandada para o hospício de Barbacena pelo seu patrão, que a estuprou e como consequência de um desses abusos, ela engravidou. Geralda passou a gestação toda trancafiada e quando seu filho fez seis meses, foi arrancado de seus braços. Foram mais ou menos 40 anos até esse reencontro finalmente acontecer. Dona Geralda nunca perdeu as esperanças, mas infelizmente na situação que ela se encontrava, o jeito era esperar.

Há inúmeras histórias, uma mais emocionante que a outra. O livro é repleto de imagens, então você precisa saber que não é uma leitura fácil. Eu precisei intercalar com outro mais leve para fluir melhor.

Daniela Axbex arrebenta muito, ela explica muito bem todos caminhos que cada sobrevivente e denunciantes trilharam e nos instiga a descobrir qual será o próximo testemunho. Esse tipo de livro é obrigatório para a gente saber das barbaridades que o nosso Brasil passou.

Até a próxima!

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