Salve salve, pipoqueiros!
Tudo certinho?

O ano da graça foi um livro que eu vi bombar em canais do youtube e plataformas literárias com muitos elogios e quando eu vi que se tratava de uma distopia feminista … Surtei. Precisava ter essa experiência.

Ao contrário do O Conto da Aia, O Ano da Graça tem uma pegada mais juvenil, tendo sua protagonista e demais personagens adolescentes de 16 anos. Enquanto as Aias já tinham essa noção de estarem sendo exploradas e usadas, as meninas do ano da graça estão descobrindo a sororidade.

No Condado de Garner, todas as meninas de 16 anos estão na idade de encontrar um marido. Após o evento onde elas são submetidas a esperarem a escolha dos futuros maridos, as noivas e as que “sobraram” são encaminhadas para sobreviverem um ano inteiro ao Ano da Graça. Elas são escoltadas por guardas até uma ilha cercada de uma floresta bem longe da onde elas moram. O objetivo desse ritual todo é expulsar a magia que afloram nos corpos delas porque, segundo a mitologia que os homens religiosos que comandam o condado dizem, Eva, a primeira pecadora, lançou uma maldição e as meninas precisam expulsar esse poder para voltarem as suas casa ou a seus maridos e serem “civilizadas” e aceitas de novo para viver em sociedade.

Muitas lendas são ditas a respeito desse evento, mas em tese nenhuma das sobreviventes pode comentar o que aconteceu lá. O que nos é dito: Há predadores em busca de meninas que saem das trilhas para se aventura na floresta e fantasmas de garotas mortas que assombram os arredores do acampamento.

Tierney é a nossa narradora e esse é o seu ano da graça. Ela é uma adolescente fora dos padrões e sonha em trabalhar nas lavouras. Para ela, nenhum dos garotos pretendem dar o famoso veio para o futuro casamento e ela nem quer isso. Ela é aparentemente determinada e bem decidida, mas acabei me decepcionando com ela. Lá pro finalzinho eu vejo que ela amadureceu, mas pelas circunstancias e pelas características que a autora quis que conhecêssemos ela, demorou demais para mostrar a sua voz. É o tipo de personagem que é amedrontada pela malvadona do grupo, que no caso é a Kiersten, a garota mais popular e a mais invejada no condado. Kiersten é absolutamente detestável. Se eu tivesse a chance de larga-la na floresta, faria sem hesitar.

O livro é super visual e a autora consegue nos ambientar perfeitamente. Prevejo um filme de sucesso. Como eu mencionei, Tierney parece ser determinada, mas acaba se calando perante as injustiças e loucas que acontecem nesse acampamento. Teve horas que eu tive que fechar o livro e revirar os olhos. É a personagem que é super coerente nos pensamentos, mas na hora de falar … Ela congela e deixa passar.

Quando chegamos na metade do livro, há um acontecimento BEM empolgante e que muda totalmente o que eu estava esperando. Isso foi o máximo!! O desfecho é surpreendente e finalmente podemos ver a garra da Tierney.

Recomendo para todas as pessoas que gostam de leituras extremamente visuais e pra quem está procurando mais com a temática de distopia feminista. Não vou dizer que todas as pessoas que leram e gostaram do Conto da Aia vão amar esse livro, não é bem assim. Margaret Atwood tem uma visão mais politica e muito mais madura, até mesmo nas revoluções das mulheres. O ano da graça é uma distopia feminista juvenil e com temas MUITO importantes, mas não chega a ser tão maduro quanto ao da Aia.

Até a próxima!

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