Salve salve, pipoqueiros!

A Editora Companhia das letras disponibilizou o lançamento de agosto para a gente: o e-book O Avesso da pele. Não conhecia o autor, mas tive uma ótima experiência com esse livro e quero ler mais histórias dele!

O avesso da pele vai narrar toda a trajetória de Henrique e Martha, os pais do nosso narrador que se chama Pedro. Eu comecei a ler e logo no primeiro capítulo tive uma dificuldade de entender o propósito daquela narrativa já que eu não tinha lido a sinopse. Na minha cabeça seria tipo aqueles livros de transição, estilo daqueles “tranquilos” de ler às vésperas de um livro mais pesado. Estava terrivelmente enganada.

O jovem Pedro vai sentar com a gente e contar várias histórias que seus pais presenciaram em suas infâncias, juventudes e vidas adultas. No primeiro capítulo sabemos que Henrique, o pai de Pedro, morreu precocemente por uma abordagem vindo da polícia. Foi uma espécie de gatilho para que Pedro pudesse pôr pra fora tudo o que ele pensa e poder se abrir também com o que acontece no dia a dia dele.

Repleto de relatos de uma vida sempre sendo julgado pela cor da pele, Henrique é um cara que foi muito marginalizado pelo racismo estruturado pela sociedade. Seja sua experiencia desde criança se questionando mentalmente sobre os avanços que recebera da policia e de pessoas brancas com receio de se aproximar por achar que ele “não era um cara tão legal”, seja engolindo as ofensas e piadinhas que a família da namorada branca fazia a respeito da sua cor, seja por, em sua vida adulta, ser o único negro professor da escola inteira.

Marta, mãe de Pedro, teve uma infância difícil que acarretou na insegurança em sua vida adulta. Adotada pela Madalena quando era bem moça, tivera que enfrentar o preconceito em diversas facetas. Por conviver com uma família que não compartilhava da mesma cor de pele, pelo fato de entrar na adolescência e seu corpo mudar e a objetificação que a mulher negra passa, por morar com um cara violento e a família dele querer a todo custo impor o lugar de serva para o filhinho mimado.

É um livro curto, mas tão poderoso! Jeferson Tenório consegue prender a nossa atenção com tudo. A descrição e os paralelos que ele fez o Pedro colocar dentro dos capítulos não nos deixa confusos. Como eu disse, eu senti uma dificuldade no primeiro capítulo porque realmente parece que o narrador está confrontando o pai falecido, a mãe manipuladora e nós leitores. Tive a impressão de que estávamos todos numa sala e Pedro contando a história de cada um. Fiquei embasbacada com essa sacada do autor.

Por nunca ter lido nada parecido me assustou! Eu me senti sendo a ouvinte de Pedro nos momentos mais sensíveis e dramáticos das vidas dos personagens. É de uma intimidade que eu nunca tinha tido. Eu cheguei a comentar em um post do Instagram da CIA que eu ia sentir saudades da narrativa do Pedro e o autor viu. Eu espero que essa resenha chegue até ele porque esse livro mudou muito a minha perspectiva como uma mulher branca privilegiada a respeito da nossa sociedade extremamente racista.

Fica aí a minha dica para uma leitura super rápida, poderosa e avassaladora.

Até a próxima!

Share:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *