Desde que Tony Stark foi sequestrado no Afeganistão por uma célula da organização terrorista dos Dez Anéis, o Marvel Studios prepara a chegada do Mandarim às telas. Comparativamente, é uma geração de expectativa maior que a da vinda de Thanos, porque já data desde o longínquo ano de 2008, no primeiro Homem de Ferro. Hoje parece óbvio que a solução encontrada para o vilão em Homem de Ferro 3 – de tratar o Mandarim mais como uma figura folclórica do que uma ameaça real – não daria conta dessa expectativa e só a pioraria.

Pois agora vem Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis com a missão de fazer justiça ao personagem, e é curioso notar, já pelo trailer de Shang-Chi, que veremos mais uma vez o vilão modificado nas telonas. Ícone do cinema de Hong Kong, o ator Tony Leung foi escalado pela Marvel com a promessa de finalmente personificar o Mandarim verdadeiro, mas o que temos no filme – a partir do próprio nome do personagem, Wenwu – é uma combinação de dois vilões distintos dos quadrinhos. São eles o Mandarim e o antigo Fu Manchu, Zheng Zu.

Mandarim surgiu na HQ do Homem de Ferro em 1964 e é o principal inimigo de Tony Stark, descrito como mestre de artes marciais e gênio cientista. Fu Manchu estreou na Marvel nove anos depois, numa história de Shang-Chi, descrito como gênio intelectual e mestre de artes marciais. Ambos têm inspiração no estereotípico vilão de cavanhaque Fu Manchu, popularizado nos romances de aventura do inglês Sax Rohmer dos anos 1910, mas no caso de Mandarim essa inspiração era mais velada. Quando perdeu os direitos autorais de usar a criação de Rohmer, a Marvel precisou trocar o seu Fu Manchu literal, e Zheng Zu é o nome que ficou.

O que diferencia os dois personagens? O elemento que define Mandarim é o poder dos dez anéis que ele usa nos dedos, cada um com uma propriedade diferente, tecnologia alienígena adaptada. Já Zheng Zu é definido por sua idade centenária (por meio da feitiçaria ele descobriu o poder da imortalidade na China do século 18) e por sua relação com seu filho, Shang-Chi, cuja jornada como Mestre do Kung Fu passa obrigatoriamente por renegar o destino imposto pelo pai. Daí vem toda a premissa do filme, que combina a relação de pai e filho (o nome Wenwu é uma adaptação imediata de Zheng Zu nesse sentido) com uma trama maior de ameaça internacional (em que evoca Mandarim para recorrer à ameaça terrorista da organização dos Dez Anéis).

Ou seja, ao mesmo tempo em que fala do passado e do presente de seu protagonista, envolvido em dramas hereditários, Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis junta dois supervilões parecidos mas distintos para abordar também o passado e o presente do próprio MCU, na esperança de que a menção aos Dez Anéis engatilhe nos fãs essa vontade de ligar os pontos. No trailer é possível ver nas argolas luminosas nos braços e na manipulação da água um vislumbre desse poder espetacular do Mandarim (ou Wenwu, no caso).

Essa ideia de juntar Mandarim e Zheng Zu não é inédita e tem precedente nos quadrinhos. Quando a HQ Guerras Secretas de 2015 propôs mundos alternativos ao fim do Multiverso, um desses mundos era uma dimensão de wuxia (o gênero de fantasia medieval chinês) ambientado na cidade mística de K’un-Lun. Nele, Zheng Zu é o seu imperador, um mestre de uma escola de artes marciais inspirada nos poderes dos dez anéis. Nessa HQ, Zheng Zu continua sendo pai de Shang-Chi, e a escola dos Dez Anéis é a principal rival em K’un-Lun da escola de luta Punho de Ferro.

Se a Marvel agora no cinema pega emprestado esse exemplo para juntar Mandarim e Zheng Zu, nada impede que coloque no caldo também uma pitada de Punho de Ferro. As cenas no trailer que evocam os épicos de wuxia (como o duelo de wire-fu no bambuzal ou a batalha campal em frente a um castelo) podem ser uma referência a um passado antigo chinês, para explicar as origens da organização dos Dez Anéis (o que explicaria também os penteados distintos de Tony Leung no trailer, e nada impede que este Wenwu seja também um vilão centenário). Ao mesmo tempo, podem perfeitamente ser uma referência à própria K’un-Lun, com seus cenários fantásticos cheios de criaturas mágicas. Nesse caso, o Marvel Studios estaria dando um passo maior: não só fazendo justiça a Mandarim mas também abrindo portas interdimensionais para os Punhos de Ferro no cinema.

Fonte: Omelete

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